Doenças de má digestão
Sexta, 24 de Janeiro de 2014
Por doenças de má digestão entende-se um grupo de patologias em que a pessoa não absorve bem os alimentos e elimina os mesmos pelo intestino causando, na maioria das vezes, diarreia e um enfraquecimento de todo o organismo.
Todo alimento ao ser ingerido deve ser digerido pelos sucos e enzimas digestivas e preparado para ser absorvido pelas células intestinais. Quando a digestão não se faz adequadamente ou quando a célula intestinal está doente não ocorre a absorção e o alimento é levado inteiro pelo intestino. Para diluir este alimento não digerido se faz necessária uma quantidade de água tornando as fezes líquidas, resultando em diarreia.
Diversas são as causas desde verminoses, infecções, alergias e doenças autoimunes. Abordaremos duas delas pela importância das mesmas na prática clínica. Em pessoas que vivem em ambiente com boa qualidade de higiene e que usam água tratada a verminose é pouco comum e raramente é responsável por diarreia em pessoas adultas.
Doença celíaca
A doença celíaca é uma doença muito prevalente em nosso meio que se caracteriza por diarreia crônica e desnutrição. Deve-se a uma sensibilidade que o organismo tem para derivados do trigo, da cevada e do centeio que são cereais que possuem em seus grãos uma proteína chamada glúten que provoca alergia e destruição das células intestinais. Esta doença tem importância para as pessoas maiores de 50 anos, pois sua ocorrência inicia na infância, melhora na idade adulta e pode voltar após os 50 anos, sendo causa importante de emagrecimento e fraqueza dos ossos levando a fraturas múltiplas no idoso. 
Seus sintomas são geralmente diarreia que boia na água do vaso sanitário, contendo grande quantidade de gordura nas fezes e restos de alimentos. Apresenta ainda fraqueza, emagrecimento, doenças de pele e perda de cálcio dos ossos favorecendo dores nas articulações e fraturas múltiplas em seus portadores. O abdome costuma estar distendido e com muitos gases e ruídos intestinais. Pioram quando a pessoa ingere alimentos contendo trigo.
Em crianças, seu diagnóstico clínico é muito fácil, mas nem sempre lembrado pelos médicos. No Brasil, sua incidência é por volta de um caso para cada 600 crianças, mas seu efeito é devastador, emagrecendo a criança que não se desenvolve física e mentalmente. No início de minha vida profissional vi crianças tratadas como deficientes mentais que se recuperavam completamente ao eliminar o glúten da dieta.
No adulto e no idoso o diagnóstico é mais difícil, pois os sintomas são menos salientes e podem imitar uma série de outras doenças mais comuns primeiramente lembradas pelos médicos. Uma boa história e um bom exame clínico permitem o médico chegar a um diagnóstico preciso que será comprovado por exames de laboratório que demonstram sensibilidade ao glúten e, principalmente por uma endoscopia digestiva alta, onde o médico colhe um fragmento da mucosa intestinal que dará o diagnóstico de certeza. Raio X, ressonâncias magnética e tomografias são, em princípio, desnecessários.
O tratamento consiste em abandonar o uso de alimentos com glúten e reposição das deficiências nutricionais. A recuperação do paciente costuma ser muito boa e em pouco tempo os sintomas desaparecem por completo, desde que observada rigorosamente à dieta.
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