Intolerância à lactose
Sexta, 31 de Janeiro de 2014
Todos os mamíferos nascem com uma enzima em seu intestino chamada lactase. Embora existente na vida intrauterina ela se torna importante no nascimento, pois a partir dali, ela estará encarregada de digerir um açúcar existente no leite chamado lactose. Sem esta digestão (fragmentação da molécula) a lactose não é absorvida, continuando no intestino e  provocando diarreia.
A medida que a idade vai aumentando é normal uma redução da lactose, uma vez que a pessoa passa a ingerir outros alimentos. Após os 50 anos calcula-se que exista no intestino não mais do que 5% da lactose existente no nascimento. Esta redução depende da origem da pessoa e de sua genética. Anglo-saxônicos perdem menos lactose do que os latinos e esses menos do que os esquimós, os africanos e os ameríndios. Desta afirmação concluímos que todos as pessoas maiores de 50 anos têm certa intolerância à lactose, que aumenta com o evoluir da idade, ou seja, ao ingerirem leite podem ter sintomas de má digestão e diarreia. Estudos mostraram que no Sul do Brasil 50% dos adultos têm forte intolerância enquanto que no Nordeste este percentual aumenta para 75%.
Os sintomas desta doença são principalmente distensão abdominal, formação de gases (arrotos e flatos malcheirosos), mal-estar após a ingestão do alimento, diarreia ou raramente intestino preso. Na criança, que depende muito do leite, a deficiência congênita de lactase torna-se doença muito preocupante, pois obriga os pais a procurarem alimentos livres de lactose, prejudicando o desenvolvimento da criança. No adulto, o comprometimento nutricional não é importante, uma vez que há muitos alimentos naturais que podem substituir as proteínas e os hidratos de carbono existentes no leite.
Na maioria das vezes o diagnóstico é feito pelo próprio paciente que relaciona seus sintomas com a ingestão de leite. O médico tem o compromisso de confirmar. No geral, exames complementares são importantes na criança podendo ser dispensados no adulto. Quando o médico suspeita que a deficiência de lactase é secundária a outras doenças é importante o diagnóstico das mesmas.
No adulto o tratamento é simples pois consta de reduzir o leite "in natura",  bem como usar medicamentos para os sintomas como para diarreia ou para os gases. Podemos também usar lactase retirada de leveduras em forma de comprimido ou pó, já existente nas farmácias brasileiras. Para as crianças existe a opção de lactase líquida que é adicionada ao leite antes de sua ingestão. Infelizmente não existe no mercado brasileiro, devendo ser importada.
Como produtos lácteos são importantes para o fornecimento do cálcio, e das vitaminas A, D e E, os pacientes devem ser estimulados a ingeri-los. Há no mercado leites com pouca lactose que são melhor tolerados. A manteiga, os queijos e os iogurtes envelhecidos também têm pouca lactose. Quando comprarem alimentos industrializados e muitos medicamentos procurem ver se os mesmos contém leite, uma vez que a cocção e a pasteurização do leite não reduz seu conteúdo de lactose. (continuaremos)
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