ENVELHECENDO COM SAÚDE(XVIII)
Quinta, 27 de Fevereiro de 2014

Retocolite Ulcerativa

À semelhança da doença de Crohn (DC), a Retocolite Ulcerativa (RCUI) é uma moléstia crônica incurável, com perfil hereditário em 25% dos casos, de comportamento autoimune (destruição das células normais pelo próprio organismo, mas cuja causa inicial é também desconhecida). Diferente da DC, atinge apenas o intestino grosso e não compromete outras partes do tubo digestivo. Tem, no entanto, manifestações em outros órgãos fora do tubo digestivo. Suspeitam-se que bactérias e vírus sejam os desencadeadores das crises. A RCUI costuma iniciar entre os 10 e 30 anos, podendo, em raras vezes, iniciar após os 50 anos.

Fatores ambientais como estresse, alguns alimentos como os derivados do leite e muitos medicamentos como os anti-inflamatórios podem ser os desencadeadores das crises. Ocorrem principalmente em países desenvolvidos e em grandes cidades.

Embora não possa ser curada, muitos pacientes a equilibram e com alguns cuidados podem viver o resto da vida como se sadios fossem. 

Os sintomas do intestino grosso são sangramento e pus nas fezes, diarreia de pouco volume, mas com muitas e desconfortáveis cólicas. Fora do tubo digestivo podem causar inflamação das articulações principalmente joelho e quadril, inflamação dos olhos, da pele e menos frequentemente do pulmão e do fígado. Acentuam-se na agudização da doença mas inexistem nos períodos de quiescência.

Para o diagnóstico é essencial um bom exame clínico. Exames de sangue podem confirmar a doença e mostrar sua gravidade. O diagnóstico definitivo se faz pela retossigmoidoscopia com biópsia do intestino. 80% das vezes a doença está limitada ao reto e ao sigmoide (partes finais do intestino grosso), não havendo necessidade de realização de colonoscopia. Esta é indicada quando se suspeita que a doença atinja outros segmentos do intestino grosso. Raio-X, ultrassom, tomografias são indicados apenas em suspeita de complicações.

O tratamento consiste, primeiramente, em uma boa relação médico-paciente e um adequado manejo de seu estresse. Deve-se orientar uma dieta com pouco leite, poucos condimentos e fibras solúveis, uma vez que as fibras insolúveis causam muitos gases e distensão abdominal. 

Quanto aos medicamentos, existe no mercado muitas alternativas. Sulfassalazina, mesalasina, corticosteroides, imunossupressores e anticorpos monoclonais que serão usados na ordem da gravidade da doença. Em grande parte dos doentes consegue-se uma boa remissão, permitindo uma vida confortável com ou sem o uso de medicamentos. Transplantes de fezes retiradas de silvícolas tem se mostrado uma boa alternativa de tratamento, mas estão em fase experimental.

A cirurgia está reservada para complicações e consiste em retirar a maior parte ou mesmo todo o intestino grosso. Poucas pessoas a necessitam.

Em, caso de suspeita de RCUI ulcerativa lembre-se:

A RCUI é doença crônica, mas que bem conduzida pode permitir uma vida confortável, trabalhos leves, vida sexual e gravidez normais.

A evolução para o câncer é rara, mas pode ocorrer em pessoas que tenham todo o intestino comprometido há mais de dez anos. Estas devem fazer acompanhamento regular com médico especialista.

Se for fumante não interrompa o hábito, uma vez que o parar de fumar costuma agravar a doença.

Álcool, condimentos fortes, e muitos medicamentos como anti-inflamatórios são contraindicados na fase aguda da doença.

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