Colelitíase (Pedras na vesícula biliar)
Sexta, 04 de Abril de 2014

A vesícula biliar é uma pequena bolsa que coleta a bile produzida pelo fígado através de um pequeno canal chamado ducto cístico. Duas horas após as refeições há um estímulo que a contrai e lança esta bile coletada no intestino para misturar-se com os alimentos. A bile é essencial para a digestão e absorção das gorduras. Sem ela a gordura ingerida não é absorvida e é eliminada pelas fezes que, sem bile, são brancas e com odor de gordura rançosa.

A vesícula é sede de várias doenças como pedras, pólipos, tumores e inflamação. A mais comum é a colelitíase, nome técnico de pedras na vesícula.

As pedras(cálculos) têm, no geral 3 causas: o acúmulo de parte de glóbulos vermelhos em anemias hemolíticas, o acúmulo de colesterol e em terceiro lugar a deposição de cálcio. Os primeiros, pouco frequentes, são chamados cálculos pigmentares, ocorrem principalmente em crianças e têm forte conotação familiar. Os demais são formados por deposição do colesterol e ou cálcio provenientes da alimentação. 

Seus fatores causais são a predisposição genética, gravidez, obesidade, alimentação com muita gordura e em alguns medicamentos. Ocorrem, geralmente após os 40 anos, em mulheres obesas e nas que passaram por gravidez. Nos homens sua ocorrência se faz, geralmente, na quinta década da vida, sendo a obesidade e a história familiar quase uma constante. Estudos epidemiológicos feitos em Curitiba e São Paulo mostraram que 10% dos adultos tinham pedras na vesícula. Em necrópsias de idosos a ocorrência chegou a 60%.

Os cálculos biliares, em sua maioria, não dão sintomas, e por isso, são chamados assintomáticos. São descobertos quando, por outro motivo, o médico solicita um ultrassom de abdômen. Podem, no entanto, evoluírem com sintoma, que é uma forte dor no lado direito do abdômen, 2 a 3 horas após refeições. A dor surge porque o cálculo tenta migrar para fora da vesícula e tranca o canal cístico, distendendo a vesícula e causando o sintoma. A dor não dura mais do que poucas horas e sua permanência acima de 12 horas indica que está havendo uma complicação que é a inflamação da vesícula. Dor de cabeça, febre, má digestão e vômitos não são sintomas normais da colelitíase. Quando ocorrem apontam a possibilidade de que esteja havendo uma complicação. Amarelão nos olhos e urina muito escura são sinais de que o cálculo migrou para o canal do fígado e está trancando o mesmo, fazendo a bile refluir para o sangue, situação de risco para o paciente.

O médico através do exame clínico tem condições plenas de estabelecer o diagnóstico. Sua confirmação será feita através do ultrassom que é um exame indolor, rápido e inócuo para o indivíduo. Não há necessidade, no geral, de exames mais sofisticados como tomografia e outros. No caso de suspeita de pedra no canal está indicada a ressonância magnética ou um exame endoscópico chamado CPER.

O tratamento está formalmente indicado em pessoas que tenham crises de dor na vesícula. Como é tratamento eletivo o paciente pode escolher qual a melhor época para operar. Quando houver inflamação na vesícula demonstrada pela persistência da dor acima de 12 horas ou amarelão nos olhos o caso passa a ser urgente e não deve ser perdido tempo.

Com o advento da cirurgia por videolaparoscopia, chamada popularmente “a laser” a cura da colelitíase tornou-se mais fácil e eficiente, com um dia de internação, pouca cicatriz e quase sem dor no pós-operatório. A recuperação para o trabalho e para a vida normal é rápida. Por isto foram desbancados outros meios de tratamento como destruição de pedras por choque, introdução de éter na vesícula e mesmo o uso de medicamentos que dissolvem os cálculos. Estes últimos somente estarão indicados em pessoas com contraindicação absoluta à cirurgia. É bom lembrar-se:

Dor persistente mais de 12 horas é sinal de complicação. Procure o médico urgente.

Urina escura e amarelão nos olhos, também.

Dor de cabeça e vômitos não costumam ser provocados pela colelitíase devendo ser procurada outra causa.

Pessoas muito doentes, diabéticos cardíacos ou, ainda, que viajem para lugares sem recursos médicos devem operar o quanto antes possível, pois, uma complicação em lugar com pouco recurso ou em que a doença coexistente esteja descompensada agrava muito o prognóstico.

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