Tumor de pâncreas
Sexta, 25 de Abril de 2014

Tumores de pâncreas constituem hoje na segunda causa de morte por câncer do aparelho digestivo nos Estados Unidos. Embora menos frequentes que outros tipos, têm uma alta mortalidade.

Ocorrem em pessoas de mais de 60 anos e tem leve componente genético. Suas causas principais são o fumo, o álcool e substâncias químicas. As profissões mais visadas pela doença são pintores, metalúrgicos e cabeleireiros. Comprometem mais homens do que mulheres e mais negros do que brancos. No Brasil, são mais frequentes na região sudeste e sua incidência varia de 4 a 8 casos por cem mil habitantes. 

É uma doença silenciosa, com sintomas leves e que quando descoberta já está em estado avançado. Seus sintomas, que iniciam após os 50 anos, são sensação de má digestão, indisposição alimentar, perda de apetite, emagrecimento e menos frequentemente dor na altura do estômago que pode se irradiar para as costas. O pâncreas é dividido em três partes: cabeça, corpo e cauda. Quando o tumor compromete a cabeça, comprime o canal da bile e a pessoas passa a ter icterícia (amarelão), urina muito escura e fezes claras. Esta icterícia é, no geral indolor. Em estudo feito em São Paulo, mostrou que os sintomas surgiram até dois anos antes de que os pacientes procurassem o médico.

O diagnóstico é feito pelo exame clínico, exames laboratoriais e, principalmente, a tomografia computadorizada. Outros exames mais sofisticados como videolaparoscopia diagnóstica e outros são indicados para estadiar o tumor, isto é, para definir qual a sua gravidade e, mais do que isto, orientar seu tratamento.

O tratamento é, sempre que possível, a cirurgia de ressecção do tumor. Trata-se de uma cirurgia difícil e complicada que requer uma estrutura hospitalar de alta complexidade e cirurgiões de boa experiência, um centro de terapia intensiva (CTI), sem os quais a mortalidade é alta e o índice de cura é muito reduzido. A cirurgia é complementada por químio e radioterapia que podem ser feitas antes e/ou depois da cirurgia.

Em casos muito avançados, a cirurgia paliativa para aliviar a icterícia ou a obstrução do duodeno é indicada e é complementada com quimioradioterapia aumentando a sobrevida dos pacientes e aliviando seu sofrimento.

Cistos de pâncreas 

Cistos de pâncreas são coleções (tumores contendo líquido em seu interior). Podem ser congênitos, nascer com o indivíduo, ou adquiridos durante a vida. Aumentam de frequência com a idade. Suas principais causas são as pancreatites e os traumas de pâncreas. Na maioria são benignos e não comprometem a vida da pessoa, mas 10 a 20% podem ser cistos com propensão ao câncer.

Há 40 anos, devido aos fatos de que os cistos dão poucos sintomas e exames pouco eficientes para diferenciarem os benignos dos malignos, operavam-se todos. Hoje os exames de imagem são tão seguros que nos apontam com relativa segurança seu caráter benigno ou não, evitando cirurgia na grande maioria deles.

Os cistos menores do que 5 cm de diâmetro pós-pancreatite ou trauma costumam regredir em até 6 meses e cursam sem dar sintomas. Os cistos de mais de 6 cm de diâmetro tem indicação cirúrgica, pois, em sua maioria não regridem e podem comprimir órgãos como estômago o canal do fígado causando sintomas e desconforto. Também tem indicação cirúrgica os cistos suspeitos de serem neoplásicos bem como os que têm sinais de sangue ou pus em seu interior. Em hospitais que disponham de eco endoscopia o tratamento pode ser feito por procedimento endoscópico.

A cirurgia é muito segura e com alto índice de cura desde que feita em hospitais com recursos adequados e por cirurgiões treinados. Não é aconselhável tratá-los em pequenos hospitais. Lembre-se sempre:

Após os 50 anos, sintomas digestivos, perda de apetite por diversos dias e emagrecimento podem ser sinal de câncer de pâncreas. Procure um especialista.

Cistos pequenos após pancreatite e trauma costumam regredir, não aceite a proposta de cirurgia e nem de punção do mesmo, pois a mesma pode ser prejudicial.

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