Doenças do Fígado
Sexta, 23 de Maio de 2014


Gordura no fígado (Esteatose Hepática) 1ª parte

Se você tem mais de 40 anos e é obeso, é um provável portador desta doença. Se não a tiver, por certo, conhece algum amigo ou parente que a porte. É uma doença importante e muito prevalente que nos obriga abordá-la em dois artigos. 

Nos anos 70, a grande preocupação dos hepatologistas (médicos que tratam do fígado) era a hepatite A. Seu conhecimento, a melhora das condições sanitárias e a invenção da vacina determinaram uma grande redução da mesma. Nos anos 80, e começo dos anos 90, a preocupação migrou para a hepatite B, doença muito preocupante e ainda muito prevalente. Com a criação de vacina, cuidados nos bancos de sangue e campanhas preventivas, tivemos uma redução de casos novos. Apareceu então a terrível hepatite C, desconhecida até os anos 90. Com sua descoberta aumentaram os cuidados em bancos de sangue, ambulatórios, hospitais e dentistas determinando uma redução de novos casos, embora ainda seja muito frequente em nosso meio.

Estudos mostram que a partir dos anos 2020, a endemia daquela década será a doença gordurosa do fígado. 

Para fins de estudo costuma-se dividi-la em esteatose causada pelo álcool (EHA) e a não relacionada com o álcool (EHNA). A doença relacionada ao álcool deixaremos para revisar quando tratarmos de dependência do álcool. A partir de agora estaremos falando sobre a EHNA, ou seja, a esteatose não alcoólica.

A EHNA pode ter causa conhecida ou ter causa oculta não definida na história clínica. Quando a causa é conhecida dizemos que a EHNA é secundária. Como exemplos temos as causadas pela hepatite C, pela desnutrição crônica (pobreza ou mau costume alimentar) e, principalmente as causadas por drogas e medicamentos. A amiodarona, os corticoides, os hormônios sintéticos podem determiná-la, bem como os tóxicos, como os que compõe as tintas e outras substâncias químicas usadas na indústria.

A EHNA chamada primária, ou de causa desconhecida, está ligada às seguintes condições:

Idade - Sua frequência aumenta a partir dos 40 anos e é progressiva.

Diabete - 50% das pessoas com diabete tipo 2 tem EHNA. A resistência insulínica talvez seja o fator determinante. 

Obesidade - Mais de 70% dos pacientes com EHNA são obesos. 

Triglicerídios - O aumento dos triglicerídios sanguíneos está ligado à doença.

Hereditariedade - Os filhos de pessoas com EHNA são mais propensos à doença.

A EHNA em sua fase inicial não dá sintomas. À medida que a doença se agrava a pessoa passa a ter fadiga, distensão abdominal e dor embaixo das costelas do lado direito. Ao agravar-se, as células inflamam surgindo a esteatohepatite com sintomas semelhantes à hepatite a vírus com intensa fraqueza, amarelão, distensão abdominal e inchaço de todo o corpo. (Na próxima edição veremos o diagnóstico, o tratamento e o prognóstico da EHNA).

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