Doenças do fígado
Sexta, 30 de Maio de 2014

Cirrose hepática

O nome cirrose foi dado pelos médicos gregos que ao examinar o fígado de pacientes mortos encontraram um órgão de cor amarela (Kirros em grego). No século XIX, Laennec (1781-1826), inventor do estetoscópio, descreveu com detalhes um fígado cirrótico.

A cirrose inicia por uma destruição das células hepáticas sendo substituída por fibrose (cicatriz). Esta fibrose comprime os vasos sanguíneos determinando isquemia nas células normais que morrem e perpetuam o processo. Entende-se que a cirrose, uma vez iniciada, não tem volta e a rapidez de seu agravamento está na razão direta da manutenção de sua causa. 

Múltiplas são as causas de cirrose.

Alcoolismo é o mais grave e o mais predominante em nosso meio. 

Hepatite B e hepatite C.

Obstrução dos canais biliares.

Deposição de gordura no fígado (esteatose).

Excesso de ferro e de cobre no sangue, outras causas menos comuns e as desconhecidas.

Sintomas: fadiga fácil, sangramento nas cavidades e na pele, perda de apetite, náuseas e emagrecimento. Acúmulo de líquido no abdome (barriga d'água) e nas pernas, alteração da capacidade mental, urina escura, pele amarelada e coceira no corpo completam o quadro.

Diagnóstico: um bom clínico fará o diagnóstico com facilidade, pois a cirrose se apresenta com sinais evidentes e fáceis de serem detectados. Para definir a gravidade da doença serão pedidos exames como ultrassom, tomografia e ressonância magnética. Exames de sangue chamados provas hepáticas, exame de coagulação.Para complementar o diagnóstico faz-se uma biópsia de fígado (retirada de um pequeno fragmento e exame com microscópio). Endoscopia e videolaparoscopia diagnóstica definem com exatidão complicações como varizes de esôfago e outras.

Tratamento: A cirrose não tem cura. O tratamento visa evitar a progressão da doença e o surgimento de complicações como infecções, hemorragias e intoxicações. As seguintes medidas comportamentais são de grande utilidade:

Suspensão imediata e total do álcool.

Redução ou suspensão do sal. Moderação na ingesta de proteínas.

Uso abundante de vegetais e de frutas. 

Evitar a automedicação restringindo-se aos medicamentos prescritos pelo médico.

Os medicamentos serão usados de acordo com as manifestações da doença, uma vez que é doença crônica sem cura. Muitas pesquisas têm sido feitas, mas até nossos dias poucos são os medicamentos que conseguem ter uma resposta cientificamente sustentável.

Em caso de cirrose grave o médico poderá indicar um transplante hepático, que nos dias atuais tem tido ótimos resultados.No Brasil o número de doadores é ainda insuficiente haja visto que para cada transplante realizado 20 a 50 cirróticos morrem sem  alcançar este importante recurso. 

PROGNÓSTICO: O paciente com cirrose está suscetível a infecções, a sangramentos, à desnutrição, à ruptura do fígado e baço e a um risco aumentado de câncer no fígado. Lembre-se:

Suspenda totalmente o álcool e parcialmente  o sal e as proteinas.

Não realize trabalhos ou esportes perigosos e violentos como lutas e esportes coletivos.

Evite visitar doentes com infecção em casa e em  hospitais.

Faça as vacinas para as hepatites A e B. 

Agende, no mínimo, duas visitas anuais com seu médico.

Bem cuidada a cirrose permite uma vida longa. Tenho pacientes que viveram 30 anos após ter sido feito o diagnóstico.

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