Doenças do Fígado
Sexta, 27 de Junho de 2014

Tumores Malignos do Fígado (Câncer secundário do Fígado)

Como vimos no artigo anterior o fígado pode ter tumores que iniciam em suas próprias células e tumores que surgem em outros órgãos e que emitem raízes para o fígado. São chamados tumores secundários ou mais apropriadamente, tumores metastáticos do fígado. 

O câncer metastático tem sua origem principalmente em órgãos intra abdominais como o pâncreas, o estômago, os rins, o intestino grosso(cólon), os ovários, útero e outros. O sangue venoso destes órgãos em seu retorno para o coração passam através do fígado. Outros órgãos fora do abdome também podem enviar metástases para o fígado através do sangue arterial. 

O fígado funciona como um grande filtro, que limpa e depura o sangue. Substâncias tóxicas e micro-organismos são destruídos no fígado evitando que os mesmos cheguem em outros órgãos como o cérebro o pulmão e o coração. As células cancerosas, que se desprendem dos tumores primários, ao chegar ao fígado são retidas. Em sua maioria são destruídas por células encarregadas da defesa. Quando a imunidade baixa, as células cancerosas permanecem no órgão multiplicando-se e gerando tumores metastáticos. Com nutrição abundante esses tumores têm crescimento no geral muito rápido e portanto são muito prejudiciais ao indivíduo.

Há trinta anos ou mais, a presença de metástases no fígado era sinônimo de morte. Com a evolução da cirurgia hepática, uma significativa parte dos mesmos é curável. A cura é inversamente proporcional ao tamanho e ao número de tumores, ou seja, quanto menor o tumor e menos numeroso for, maior a possibilidade de cura. Por isto o diagnóstico precoce é muito importante.

Dos tumores metastáticos, os que têm melhor evolução são os de cólon e os de ovário. Trataremos dos de cólon que servem de paradigma para os demais. 

Após a cirurgia para a cura do tumor de intestino grosso, o médico deverá fazer semestralmente um acompanhamento para detectar surgimento de metástases, pois células poderão estar presentes no fígado e desenvolverem tumores. Em caso de metástases já existentes no fígado no momento da cirurgia deve-se na mesma cirurgia removê-las. Há ainda a estratégia de fazer a ressecção do tumor em outra cirurgia. Cada serviço médico tem uma visão do que é melhor para o paciente. Pacientes fortes e hígidos aguentam melhor duas cirurgias simultâneas. Pacientes fracos e anêmicos devem postergar a retirada das metástases em cirurgia posterior.

O acompanhamento se faz de 6 em 6 meses até completar 5 anos, através de exame de sangue chamado “Pesquisa de antígeno carcino-embriônico ou simplesmente CEA”, junto com exames de imagem usualmente um ultrassom abdominal e um raio-X  de tórax. O ultrassom é um exame de boa sensibilidade, muito disponível e de baixo custo sendo o mais recomendado para este fim. Outros exames como a tomografia, a ressonância magnética, a tomografia por emissão de prótrons (PET-Scan) e a videolaparoscopia diagnóstica estarão indicados em situações muito especiais, pois são mais dispendiosos, pouco disponíveis e, com efeitos nocivos para o organismo, como a tomografia. 

Tratamento: Como referi no início do artigo, o tratamento das metástases tem sido cada vez mais animador. Em serviços especializados a sobrevida em 5 anos varia de 40 a 60% ou mais. Sua eficiência está relacionada ao tamanho e ao número de tumor. Em tumores pequenos e em número menor do que 4 os resultados são melhores. O tratamento mais eficiente é a cirurgia na qual o cirurgião retira o tumor com um pedaço do fígado. Esta cirurgia que é feita abrindo o abdome está gradativamente sendo substituída por videolaparoscopia.

A cirurgia deve ser acompanhada de quimioterapia que é administrada antes e/ou depois da cirurgia de acordo com cada caso.

Em tumores muito avançados ou presentes em grande número a cirurgia é desaconselhada uma vez que aumenta a mortalidade e diminui a chance de cura. Tratamentos alternativos como quimioterapia, aplicação de corrosivos ou radioisótopos dentro do tumor, congelamento ou cauterização e outros são usados dependendo do caso. Lembre-se:

Todo paciente que tiver sido operado por tumores malignos devem fazer acompanhamento regular de acordo com a orientação médica.

O retorno do tumor não significa desespero pois a medicina avançou muito e oferece bons resultados.

 

 

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