Efeitos Nocivos do Álcool – 1
Sexta, 11 de Julho de 2014

Conta uma lenda antiga que Deus irrigou as vinhas inicialmente com sangue de leão, depois com sangue de carneiro, de macaco e no final de porco. Esta lenda condiz exatamente a conduta da pessoa submetida ao uso excessivo de álcool. No início o álcool vai ao cérebro causando uma acentuação de sua circulação tornando a pessoa mais animada e muitas vezes mais corajosas enfrentando os outros como um leão. A seguir o álcool começa a deprimir o cérebro dando sonolência e calma à pessoa que começa a se comportar como um carneiro de boa paz. Na terceira fase ele perde sua autocrítica e começa a se comportar de maneira inadequada fazendo macaquice tornando-se ridículo. Por fim, é a fase que perde o controle de si e de seus esfíncteres, sujando-se perdendo fezes e urina como se um porco fosse. Em continuação vem o coma onde a pessoa perde totalmente a consciência entrando em coma e, se não socorrido vem a morte.

O álcool, que é fruto da fermentação de grãos ou de frutas tem, no geral, um gosto ruim fazendo com que a indústria acrescente tinturas, adoçantes artificiais, perfumes e outras para torná-lo palatável e atraente. Muitos conservantes são prejudiciais à saúde. As bebidas destiladas são muitas vezes conservadas em barris de madeira que podem liberar resíduos tóxicos para o ser humano.

O álcool ingerido começa a ser absorvido no esôfago, um pouco no estômago, mas principalmente é absorvido no intestino. Isto faz-nos compreender o porquê que os bebedores contumazes usam fazer a “forração” do estômago com alimentos. Os alimentos retardam a passagem para o intestino e tornam a absorção mais lenta e, portanto mais suportável. Quando o estômago está vazio ele passa logo aos intestinos onde é absorvido maciçamente fazendo como se diz popularmente “a bebida pega muito mais”.

Do intestino o álcool é transportado para a circulação indo ao cérebro, ao coração, aos pulmões, aos rins, mas, principalmente ao fígado, onde ele é metabolizado e usado como combustível. Pessoas que tomam muito álcool têm suas necessidades calóricas supridas pelo mesmo e ao sentirem-se saciadas deixam de ingerir outros alimentos indispensáveis na sua nutrição. Com o tempo terão uma falta de proteínas e uma deficiência de vitaminas evoluindo para um estado de desnutrição que agrava seu problema.

Na pele causa uma vaso dilatação, vermelhidão, redução da pressão, aceleração do pulso e calor que é seguido de frio e queda da pressão. Esta é a causa da morte de andarilhos nos dias frios. Tem frio intenso mas pouca consciência para procurar recurso.

No pulmão o álcool é exalado e, por isto, medido pelo bafômetro. No rim causa um estímulo à diurese determinando aumento do volume urinário e consequente desidratação. Após o uso do álcool sentimos muita sede. Mas é no fígado e no cérebro que o estrago é maior.

No cérebro o álcool causa de início um efeito sedativo que favorece o sono de imediato passando logo depois fazendo com que a pessoa acorde pela madrugada agitada, o que determina uma fadiga no dia seguinte conhecida como ressaca. Se a quantidade for maior, mas ingerida de maneira ocasional há uma perda de memória para o que aconteceu naquele momento e nas horas que   antecederam o uso da bebida. Se a ingestão se repetir por diversas vezes a memória começa a ser abalada com prejuízo do desempenho intelectual. 

No bebedor crônico pode estabelecer-se uma demência chamada de Werneck-Korsakoff, atribuída à falta de vitaminas do tipo B, que determina muitos sintomas entre eles, visão dupla, vendo objetos estranhos; insegurança em caminhar com perda do equilíbrio e quedas; perda progressiva e grave da memória fazendo que com a pessoa não consiga mais definir sua identidade bem com sua profissão e fatos correlatos.(Continua).

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