Governo e Economia: O Abismo do Ilusionismo
Sexta, 19 de Dezembro de 2014

O primeiro passo para a solução de qualquer problema é admitir a sua existência. Quando isto não ocorre é provável que haja um agravamento da questão, o que em se tratando de condições econômicas pode representar o fardo de um governo altamente endividado sobre os ombros das próximas gerações.

Porém, para a atual administração vale a pena “quebrar” o País em nome das políticas sociais – especialmente quando estas asseguram sucessivas vitórias eleitorais. Melhor ainda quando certos segmentos da sociedade não conseguem atribuir ao governo certos julgamentos em decorrência dos baixos níveis de escolaridade.

Enquanto a economia brasileira flerta com a recessão, a inflação permanece uma constante ameaça e a Petrobrás sangra ininterruptamente em uma enxurrada de denúncias envolvendo altos funcionários e figuras do alto escalão governista, a presidente zomba dos brasileiros ao afirmar que o seu governo representará um marco no combate à corrupção.

Com uma base ávida por afagos no Congresso e um eleitorado fielmente dependente de auxílios governamentais é possível cavar ainda mais o abismo do ilusionismo.

O que mudou, entretanto, é que a oposição, ao capitalizar mais de 50 milhões de votos na figura do Senador Aécio Neves, ganhou confiança suficiente para ir ao confronto de ideias, mesmo sabendo que nos embates do Parlamento só restam a eles as protelações regimentais, já que os resultados das votações dificilmente trarão surpresas.

O dólar continua em tendência de alta em decorrência da fuga de capitais promovida pelos investidores internacionais em face da desconfiança em relação a um governo que, aos 45 minutos da segunda etapa, muda as regras do jogo para livrar a presidente da República de punições administrativas pelo descumprimento da meta de superávit fiscal.

É evidente que os juros serão pressionados, já que o prêmio de risco exigido pelos participantes do mercado tenderá a se elevar substancialmente. Por conseguinte, dificilmente a inflação permanecerá dentro da meta em 2015 – apesar do instrumento da alta dos juros ao qual o governo confortavelmente recorrerá em um ano não eleitoral.

Matéria esta interessante de Artur Salles Lisboa de Oliveira para dividir com vocês a leitura. Sem afagos de lados, talvez agrade e desagrade, mas real. O principal ponto é o que nós estamos fazendo com a situação. 

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