O protesto dos Caminhoneiros é justo e devido?
Sexta, 06 de Março de 2015

Nestes últimos dias vivenciamos algo em proporções semelhantes as “as diretas já” durante a ditadura militar e ao impeachment do ex-presidente, Fernando Collor com a greve dos caminhoneiros, com bloqueios nas estradas brasileiras. Apoiados por outras entidades e população e também repudiados por outros. Mas o que realmente são as reinvindicações?  

Talvez os próprios caminhoneiros não tenham a consciência real das pautas abordadas e solicitadas – aumento no preço do diesel, tabelamento do preço do frete e valor dos pedágios – e também noticiados pela mídia tais. 

Primeiro, o preço do diesel não está alto, o preço do barril de petróleo está em níveis baixíssimos provando a afirmação. O que é absurdamente alto é a carga tributaria que incide sobre o combustível, equivalendo à metade do preço cobrado.

Segundo, a cobrança do pedágio dos caminhões em eixo levantado não é problema. Temos uma estrutura de transporte defasada, com estradas de baixa qualidade, sem manutenção e muitas de chão batido que durante as chuvas tornam-se intransitáveis. Sem falar da malha férrea que quase não se pode dizer que existe. Portos brasileiros com problemas de recebimento e despacho devido à baixa calagem que não atraca navios de grande porte.

Em terceiro, o tabelamento do frete não é a solução, o problema está nos dois primeiros pontos que tornam alto o custo para o transporte, o valor do frete é dado pela oferta e demanda. Sem ressaltar uma das maiores taxas de juros existentes e em elevação (Selic elevada para 12,75% ao ano na reunião do Copom do dia 4 de março de 2015) fruto de políticas econômicas contraditórias. 

O término da grave ocorreu através do “rolo compressor” que o governo usou, ao contrário do diálogo, colocando as classes que dividem a conta da gestão ineficaz do governo, que repassa a conta através do preço da energia elétrica, com uma saúde de qualidade, educação de países desenvolvidos, transporte publico ótimo, carga tributária elevada. Sem detalhar os cortes previstos para conseguir “fechar o caixa” no final do ano sem elevações maiores ainda de impostos, que somente na educação pode chegar a 28%, corrupção, esta produziria colunas infinitas na tentativa de explicar.

“Brasil, de amor eterno seja símbolo” e antagônico que vive um feudalismo moderno – população trabalhando mais para sustentar a farra de senhores feudais que ironizam em seus palacetes construídos com dinheiro do povo. Graças muitas vezes ao velho e infeliz ditado – “quem cala, consente”. 

 

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