Grécia: bem que o Brasil poderia tirar algumas lições da crise de lá – Parte 01
Sexta, 17 de Julho de 2015

Trechos tirados do artigo escrito por Ricardo Pereira.
Tudo o que temos em termos de produção de conhecimento no mundo ocidental tem alguma influência do pensamento filosófico da Grécia. Algumas das mentes mais brilhantes que passaram por este planeta saíram de lá.
Quem teve a oportunidade de estudar filosofia, conhece um pouco dos pensamentos de Sócrates, Aristóteles, Platão, entre tantos outros. Os gregos são responsáveis, em grande parte, pelos conceitos políticos que temos hoje.
Mas o que tomou grande parte dos noticiários nos últimos meses não é a relação da Grécia com a base do conhecimento ocidental, mas sim sua situação econômica. O país atravessa uma grave crise econômica, com problemas se arrastando desde o final da última década. O ápice dessa situação aconteceu agora, dia 1º de julho, quando o governo grego não pagou a parcela de um empréstimo ao Fundo Monetário Internacional (FMI), de cerca de 1,6 bilhão de euros. Com o calote, a Grécia foi o primeiro país considerado desenvolvido a não pagar suas dívidas com o FMI.
A crise grega: fim do pacote de estímulos econômicos
Engana-se quem pensa que a situação grega está assim há pouco tempo. Para piorar tal situação, o pacote de ajuda à Grécia, dado pela União Europeia (UE), também terminou. Iniciado em 2012, esse pacote foi estendido por duas vezes.
Resumindo: a Grécia possui uma dívida em atraso e não conta mais com ajuda da UE. O resultado? Uma economia caótica, prestes a entrar de vez em colapso (e ainda se arriscando a sair da chamada Zona do Euro, o que significaria voltar a usar o dracma). Como um país com uma cultura tão desenvolvida chegou nesse ponto?
Grécia: má administração pública é a raiz de todo mal
Que fique claro que apesar de ter ganho mais espaço nos últimos dias, a crise grega se arrasta há algum tempo. O déficit orçamentário do país é enorme. Esta relação entre a diferença entre o que o país arrecada e gasta foi de 13,6% em 2009. Esse dado é mais do que apenas um indício de crise, já que ele é quatro vezes maior do que o tamanho permitido pelas regras da Zona do Euro.
Desde então, os déficits do governo só aumentaram. Com isso, os investimentos no país praticamente foram nulos, o PIB desabou e a crise só aumentou. O cenário que temos hoje é resultado de problemas que se repetem desde 2008, com agravamento em 2010. Não foi por falta de sinais que a Grécia chegou a este ponto. Para cumprir os acordos com os credores, um profundo ajuste fiscal foi promovido para tentar criar condições do país sair dessa situação, mas o que era solução também se tornou um problema: com os ajustes, a economia grega não cresceu mais.
A falta de perspectiva e segurança afastou os investidores, que passaram a olhar o país com dúvidas e desconfiança. A população decidiu colocar na condução do país um partido de esquerda, que na campanha prometeu acabar com a austeridade imposta, renegociar os pacotes aceitos e fazer mudanças na condução econômica.

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