Grécia: em que o Brasil poderia tirar algumas lições da crise de lá – Parte 02
Sexta, 24 de Julho de 2015

Como aprender com os erros da Grécia
É verdade que de 2008 para cá inúmeros países considerados desenvolvidos surpreenderam o mundo com péssimos desempenhos econômicos. Todos olhamos com espanto problemas graves em países como Irlanda, Espanha, Itália e Portugal.
O caso grego parece mais significativo porque o governo tentou esconder falhas graves na gestão do dinheiro público. Recorrentes denúncias de corrupção e de fraudes, gastos excessivos e um estado que consumia grande parte dos recursos com o funcionalismo, algo muito semelhante ao que presenciamos hoje no Brasil, resumem o que aconteceu por lá.
Tudo isso só aumentou a desconfiança do mercado e fortaleceu a ideia de que a Grécia pode sair da zona do euro a qualquer momento, principalmente se o referendo popular convocado pelo atual primeiro-ministro, Alexis Tsipras, for no sentido de não aceitar a proposta dos credores internacionais.
Proposta que na prática já nem existe, visto que o governo desistiu das negociações e não honrou o pagamento da dívida dentro do prazo. A situação é bem complicada e opinar sobre os desdobramentos agora seria irresponsável.
Os ensinamentos que podemos tirar dessa grave crise econômica na Grécia são amplas, mas de simples compreensão: a primeira lição passa pela necessidade de uma administração pública correta, sem maquiagens e priorizando crescimento sustentável, baseado em reformas contundentes e que de fato deixem o estado mais ágil, seguro e previsível (itens fundamentais para seduzir investidores).
Outro ponto importante é a capacidade de realizar reformas e ajustes a partir de um mínimo de estabilidade interna. Olhando o exemplo brasileiro, percebemos quão frágil é nosso ajuste. O governo, debilitado, tenta impor um ajuste fiscal, bombardeado pela incapacidade de convencer a sua própria base sobre a necessidade de mudanças.
Os desafios da Grécia são muito mais penosos (por enquanto) do que os do Brasil. Cabe acompanhar os acontecimentos de perto e torcer para que as reformas necessárias possam ser minimamente realizadas, mesmo que nesse momento muitas pessoas sejam atingidas pelo “remédio amargo” chamado ajuste fiscal.
Ao apagar das luzes, os “Deuses Gregos”, ou podemos dizer a cúpula da União Europeia, firmaram o novo plano de ajuda para a Grécia que ainda está em fase de conclusão e já vem sofrendo críticas pelos atores-chave do acordo (Atenas, Berlim e o Fundo Monetário Internacional) no êxito de sua efetivação. Dentre os acordos estão o aumento de impostos, reformar o sistema de aposentadoria e privatizar bens estatais.
Traduzindo para o nosso tupiniquim, o governo brasileiro, através do seu ajuste fiscal, aumentou a carga tributária, convocando o povo a pagar a conta, mas mantendo a máquina inflada do poder público, com teatros e indicações de reformas políticas que a cada ano eleitoral são cartas de campanha da oposição.

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