Corte da perspectiva de rating da economia brasileira pela S&P
Sexta, 31 de Julho de 2015

Matéria divulgada em site de economia.
A agência de classificação de rating Standard & Poor's decidiu cortar a perspectiva do rating do Brasil de "estável" para "negativa", apesar de manter a nota de crédito do País. A S&P espera que o Brasil registre uma retração da economia da 2% neste ano, enquanto em 2016 não haverá crescimento. Apenas em 2017 a agência projeta um crescimento modesto da economia.
Ao mesmo tempo, a agência reafirmou o rating da dívida de longo prazo em moeda estrangeira do Brasil em "BBB-", o rating "A-3" da dívida de curto prazo em moeda estrangeira, a nota "BBB+" da dívida de longo prazo em moeda local e o rating "A-2" da dívida de curto prazo e moeda local. A S&P também confirmou o rating escala nacional "brAAA" e a perspectiva sobre esta nota permanece "estável".
Após a notícia, o Ibovespa chegou a afundar 900 pontos, mas às 15h22 (horário de Brasília), já devolvia uma parte das perdas, operando em alta de 1,39%, a 49.413 pontos. O dólar comercial amenizava os ganhos e tinha alta de 0,65%, para R$ 3,3855 na venda no mesmo horário - chegando aos R$ 3,42 na máxima do dia. No mercado futuro, o dólar para agosto tinha alta de 0,50%, a R$ 3,386, indo a R$ 3,4400 na máxima.
No mercado de juros, o DI janeiro de 2017 subia a 13,95% ao ano. Já o DI janeiro de 2021, mais sensível à percepção de risco, ia a 13,07%, contra 12,979% no ajuste de ontem e máxima hoje de 13,430%.
A S&P diz que as investigações em curso nos casos de corrupção contra políticos e empresas de alto perfil - em ambos os setores público e privado, e em todos os partidos - levaram a uma alta da incerteza política no curto prazo. A agência afirma que este cenário coloca um grande risco nas implementações de novas políticas, principalmente nas votações do Congresso.
Segundo a agência, desde que o rating do País foi reafirmado, em 23 de março, os riscos de um downside da nota soberana aumentaram. "O Brasil enfrenta circunstâncias políticas e econômicas desafiadoras, apesar do que nós consideramos ser uma correção política significativa durante o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff", afirmou a S&P em relatório.
A projeção da agência é de um para três de que o governo irá enfrentar novas "derrapagens dada a dinâmica política e que o retorno de uma trajetória de crescimento econômico mais firme vai demorar mais tempo do que o esperado". "Revisamos a perspectiva para negativa porque, apesar das mudanças políticas atualmente em curso, que têm o apoio da presidente, os riscos de execução subiram. Em nossa visão, esses riscos derivam de ambas as frentes políticas e econômicas", afirma a S&P.
Conforme frase de um economista: “os mesmos que deixaram a torneira aberta, reclamam que acabou a água”.

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