Ao som de “My My, Hey Hey (Out of Blue)” Neil Young Mude, se for possível, ao contrário de deixar-se corromper por críticas e cantilenas que fazem crer isso e aquilo, valorize os teus, lembre dos conselhos em gotas de teus avós e de teus p
Sexta, 21 de Agosto de 2015

Sexta-feira, véspera de Carnaval, trânsito péssimo, voo marcado, aquele atraso inesperado. Mas, bastou o aperto de mão entre Fabio Coelho, presidente do Google, e Rodrigo Galindo, CEO da Kroton, para o clima ficar leve. Parceiros de longa data, eles têm muito para falar. Como o Google tem várias iniciativas em educação (como o portal de vídeos YouTube EDU, em parceria com a Fundação Lemann), Coelho ficou à vontade para responder a Galindo, que queria saber sobre a conexão entre educação e tecnologia. Galindo, por sua vez, assumiu o papel de entrevistador com categoria. Tanto que, ao concluírem a conversa, Coelho disparou: “Mas não é que ele tem voz de locutor de televisão?!”. Tem mesmo. Galindo não perdeu tempo e nem a pose: “Tem vaga lá?”, perguntou, virando-se para os jornalistas de Época Negócios. Como se a pessoa que levou a Kroton a se tornar a empresa mais valorizada da Bovespa nos três últimos anos precisasse de emprego.
Dentre muitos assuntos abordados, compartilho alguns. A matéria teve publicação em revista de circulação nacional.
Rodrigo Galindo - Em 2013, a IDC [empresa de pesquisas de mercado] indicou que pela primeira vez vendemos mais smartphones do que celulares no Brasil. Quais são as mudanças que a tendência gerará para a economia e para as empresas?
Fabio Coelho - Primeiro, é fundamental a gente se programar para trabalhar dentro desse contexto. É incrível como todo o sistema de conexão entre as pessoas, que ocorre num desktop, muda quando se tem quase 90 milhões de usuários com celular na mão. Grande parte dessa população é jovem, da classe C e entra no mercado usando um smartphone como primeira forma de acesso à web. O que temos de colocar no mercado? Primeiro, temos de ajudar as empresas a entender a importância de ter um site e uma estratégia móvel benfeitas, para capturar o interesse dos usuários. Segundo, entender como as marcas podem se associar a esse movimento, para que consigam entender que esse é o futuro.
Época Negócios - Produtividade é um problema para o Google?
Fabio Coelho Não sinto déficit de produtividade da mão de obra brasileira. No Google, somos um pouco atípicos, porque a gente só tem pessoas com curso universitário, não tem mão de obra menos sofisticada. Mas eu diria que o brasileiro tem uma maneira diferente de trabalhar, é mais gregário. Não é melhor, nem pior. Os outros países adoram trabalhar com o Google Brasil.
Época Negócios - Por quê?
Fabio Coelho O brasileiro toma um cafezinho, conta uma história de manhã, chega um pouco mais tarde, mas sai bem mais tarde que os outros. Trabalhamos mais, porque não temos aquele estilo compacto de chegar às 8 horas da manhã, almoçar na mesa e trabalhar 100% até 5 horas da tarde e desligar. Não tem nada de errado com aquele outro modelo. É superprodutivo, mas de uma maneira diferente. Aqui, a gente é lúdico, gosta de se divertir no trabalho. O que temos no Brasil que prejudica muito é o déficit de infraestrutura. Sentimos com relação a energia ou com os deslocamentos, quando visitamos um cliente. Por aí, temos déficit de produtividade grande.

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