A Saúde no Brasil nunca mais será a mesma – Parte 1
Sexta, 30 de Outubro de 2015

Texto compartilhado de um dos principais economistas brasileiros.

Nunca antes na história deste planeta tantos setores e subsetores econômicos passaram por rupturas tão rápidas de seus modelos de negócios como nos últimos 10 anos. No Brasil não foi diferente. Para me limitar ao setor de turismo, sites de vendas de passagens mudaram radicalmente o negócio das agências de viagem, o Airbnb ameaça os negócios dos hotéis e o Uber trouxe uma concorrência antes inexistente aos taxistas e suas cooperativas.

E se, ao invés de uma revolução, o seu setor estivesse sujeito aos impactos de quatro revoluções ao mesmo tempo? É exatamente o que vai acontecer com o setor de saúde no Brasil. As mudanças serão radicais e irreversíveis, transformando completamente o negócio, a forma de atuação e as perspectivas para todos no setor.

A primeira revolução será tecnológica
No passado, a tecnologia para tratamentos de saúde era baixa, assim como os custos e o acesso de doentes a tratamento. Com o passar do tempo, a tecnologia evoluiu cada vez mais, encarecendo exponencialmente os tratamentos, o que continuou a impedir que muitos tenham acesso aos tratamentos ainda hoje. A grande mudança atual é que várias das novas tecnologias médicas digitais em desenvolvimento não apenas melhorarão os tratamentos, mas também os baratearão, tornando-os mais acessíveis.

Tratamentos e técnicas de monitoramento antes disponíveis só em grandes centros médicos estão sendo transferidos para consultórios médicos e até para a casa ou o corpo do próprio paciente. Equipamentos, software e aplicativos de monitoramento à distância permitirão grandes avanços no tratamento de doenças cardíacas, asma e diabetes. O uso do tele-saúde permitirá grandes reduções de custo em tratamentos de rotina e psicológicos – o médico e o paciente não precisarão mais necessariamente estar no mesmo lugar para diagnósticos e tratamentos.

Plataformas eletrônicas de monitoramento e aconselhamento ajudarão pessoas a modificarem seu comportamento, tornando, por exemplo, o combate à obesidade e ao fumo e melhoras de qualidade de vida mais baratas e eficientes.

A segunda revolução é econômica.
Na última década, a queda da taxa de juros barateou o crédito e o dólar baixo barateou produtos importados, permitindo que equipamentos que antes só podiam ser comprados por grandes hospitais fossem adquiridos por consultórios médicos. Isso trouxe aos médicos a oportunidade de transformar consultórios individuais em clínicas especializadas com vários profissionais, transformando-os em empresários. Em muitos casos, isso ocorreu sem que eles recebessem nenhuma capacitação administrativa ou financeira. As recentes altas dos juros e dólar trouxeram desafios importantes para parte dessas clínicas.

Continua.

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