A Saúde no Brasil nunca mais será a mesma – Parte 2
Sexta, 06 de Novembro de 2015

A terceira revolução é socioeconômica

Nos últimos 10 anos, quase 60 milhões de brasileiros entraram nas classes A, B e C. Com maior renda e a baixa qualidade dos serviços públicos de saúde no país, eles passaram a demandar serviços privados de planos de saúde, hospitais, farmácias, laboratórios e médicos.

O número de usuários de planos de saúde, por exemplo, cresceu em mais de 20 milhões de pessoas entre 2002 e 2012. Recentemente, esse processo foi revertido pela crise econômica e o aumento do desemprego. No entanto, como só 25% dos brasileiros têm um plano de saúde privado – comparado com 84% dos americanos – ele deve ser retomado quando a economia recuperar-se. Além disso, a procura por serviços de saúde privados também deve crescer porque o inevitável ajuste das contas públicas limitará os recursos disponíveis no setor público.

A quarta revolução é demográfica

Com a queda da taxa de natalidade e o crescimento da expectativa de vida, a população brasileira envelhecerá rapidamente nas próximas décadas. No ano passado, mais de 30% dos brasileiros tinham até 18 anos e apenas 12% tinham 59 anos ou mais. 

Em 15 anos, já haverá mais mulheres com 59 anos ou mais do que com 18 anos ou menos. Em 2060, haverá o dobro de brasileiros e o triplo de brasileiras com 59 anos ou mais do que com 18 anos ou menos. Nos próximos 45 anos, a participação de idosos na população brasileira vai triplicar.

A procura por especialidades médicas mudará completamente. Precisaremos de muito mais geriatras e muito menos pediatras. Dentro de cada especialidade médica, as doenças e problemas mais comuns também mudarão. Por exemplo, haverá menos casos de estrabismo, mas mais casos de catarata.

Em resumo, se você acha que turismo e transporte mudaram muito nos últimos anos, imagine o que vai acontecer com a Saúde no Brasil.  Você está preparado?

A quinta revolução, e esta poderia ou deveria ocupar o lugar de alguma das anteriores é relacionado a “Renda”. A acessibilidade e ou manutenção de padrões de renda dar-se-á pela educação, não apenas de criação de vagas, mas sim na qualidade oferecida e absorvida pelo mercado em crescimento. Isso gerará ciclos virtuosos para a economia e não de apenas “circos econômicos”. 

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