Brasil é um dos maiores riscos do mundo em 2016, diz Eurasia
Sexta, 08 de Janeiro de 2016

A crise no Brasil foi incluída pela consultoria Eurasia Group, uma das mais importantes do mundo, entre os 10 maiores riscos internacionais para o ano de 2016.

"A crise política e econômica deve piorar ao longo de 2016. Ao contrário das esperanças de alguns comentaristas e atores do mercado, a batalha do impeachment de Rousseff no começo do ano não deve terminar o impasse político", diz o texto.

O problema é que se Dilma sobreviver no cargo, provavelmente não terá cacife para aprovar as reformas necessárias para conter o déficit público, além de continuar vulnerável aos efeitos da Lava Jato e da investigação sobre o ex-presidente Lula.

A briga pelo impeachment exigirá da presidente acenos a sua base de esquerda – o que explica a nomeação de Nelson Barbosa para o Ministério da Fazenda – e tende ao enfraquecimento do ímpeto por corte de gastos.

"Se Rousseff continuar no cargo, será uma presidente cada vez mais cativa dos elementos radicais de seu partido e amarrada por um Congresso mais antagonista, levando à paralisia política", diz o texto.

Caso Dilma caia e Temer assuma (o que a Eurasia considera menos provável), poderia haver um otimismo inicial no setor privado, com apelo pela união nacional, apoio do PSDB e sugestão de reformas.

Mas as fraquezas apareceriam rápido, já que o PMDB de Temer continuaria sendo alvejado pela Lava Jato, e manter o apoio político ao novo governo ficaria cada vez mais custoso para os outros partidos.

Temer ainda teria que lidar com um PT sem medo de ser oposição, descontente com a saída de Dilma e com uma nova "agenda neoliberal", e isso em um cenário de desemprego chegando a dois dígitos.

Segundo a Eurasia, a forma mais "limpa" de sair da crise seria com a anulação da eleição de 2014 pelo Tribunal Superior Eleitoral com base na acusação de contribuições ilícitas de campanha. Uma eleição seria convocada em 90 dias.

"Apesar de improvável, este resultado teria o benefício de trazer um presidente eleito diferente com legitimidade política nova. Mas não estamos apostando nisso. 2016 será caracterizado pelo aprofundamento da crise no Brasil", diz o texto.

Dentre outros riscos citados, estão: O impacto da desaceleração da China, a ameaça do Estado Islâmico e seus amigos, discórdia e instabilidade na Arábia Saudita, o fechamento da Europa em si mesma. Texto compartilhado de site de economia.
 

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