A nova Argentina de Macri e sua agenda de transformações
Sexta, 04 de Março de 2016

A Argentina viveu uma onda de otimismo com a chegada de Mauricio Macri ao poder. Sob sua presidência, a expectativa é que o país trilhe novos caminhos em sua política interna e externa.

Segundo Márcio Coimbra, coordenador do MBA Relações Institucionais do Ibmec/DF, a eleição de Macri mostra que os argentinos estão exaustos da forma de governar que está presente no país há muitas décadas.

“Populismo, alimentado pelo clientelismo e assistencialismo foram a marca de muitos governos, mas em especial dos Kirchner. Os argentinos ansiavam por mudança”, avalia. O especialista afirma que o novo presidente traz “ideias arejadas” e que pode retirar os entraves criados pelo Estado para que a economia se desenvolva e o país volte a crescer.
O início de mandato já foi marcado por uma mudança radical em vários pilares que sustentaram a política econômica em 12 anos de kirchnerismo, indicando oposição aos excessos intervencionistas.

“Macri vem abraçando uma agenda mais liberalizante e inovadora, postulando uma Argentina mais interconectada com o século 21. Sua administração identifica nas reformas estruturais as bases para a reconstrução da Argentina como país moderno”, diz Marcos Troyjo, economista e cientista social.

Fim do controle cambial

Uma semana após tomar posse, Macri colocou fim ao controle cambial argentino que estava em vigor há 4 anos. Apelidado de “cepo”, o controle foi implementado pela ex-presidente Cristina Kirchner em meio à fuga de divisas.

A medida inclui a unificação do valor do dólar – até então existiam pelo menos três cotações -, o fim dos controles para a compra da moeda americana e para as transferências de divisas de empresas para suas sedes no exterior, além da normalização dos pagamentos das importações.

Taxas e cotas de exportação

O governo também aboliu taxas e cotas de exportação para a indústria e para os produtos agropecuários, mantendo apenas sobre a soja, reduzida de 35% para 30%. O intuito é recuperar as economias regionais e melhorar os incentivos à produção.

Fundos abutre

Depois de Cristina Kirchner se negar a negociar com os fundos por considerar que tentavam extorquir o país para obter lucros excessivos por títulos que compraram a preços baixos após o default da Argentina em 2001 e 2002, Macri já mostrou vontade de solucionar o litígio.

Corte de funcionários

Desde o fim de dezembro, Macri vem reduzindo o número de postos de trabalho. Segundo ele, Cristina Kirchner inchou a máquina pública entre 2013 e 2015. Nos últimos dias de Cristina no poder, houve nomeação de centenas de servidores, que foram acusados pelo atual governo de serem funcionários “fantasmas”.

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