Em tempos de crise, abrace a meritocracia e não perca dinheiro
Sexta, 11 de Março de 2016

Dotado do mérito da simplicidade conceitual (onde os melhores se destacam e recebem os melhores benefícios), reconhecido pelos resultados que provoca, amado por alguns e odiado por muitos, o modelo meritocrático de gestão cresce em tempos agudos.

E, cá entre nós, convenhamos, poucas coisas são menos estimulantes do que um ambiente de trabalho onde acomodados, “rodas presas” e preguiçosos são tão considerados e premiados quanto aqueles que, independentemente das suas questões pessoais ou limitações individuais, conseguem operar com obstinação, empenho absoluto e elevado senso de responsabilidade.

Nesse contexto, onde os “prêmios” sempre se caracterizam como algo restrito, nada mais natural que se estabeleçam regras comuns e justas para o seu acesso, criando com isso uma espiral positiva em benefício da competitividade e da saúde econômica dos negócios.

Na meritocracia pouco importam a sua origem, filiação, raça, credo, onde você estudou ou mesmo as questões de gênero. Em um ambiente assim, o valor vem dos resultados e da qualidade como estes foram atingidos. Obviamente não se trata de algo perfeito, mas alguns se adaptam facilmente e jamais vão querer trabalhar em um modelo diferente.

A questão é como implantar esta cultura, considerando os seus desdobramentos operacionais e seu impacto no cotidiano de um grupo de profissionais ainda não acostumados ao processo triturador que o culto ao mérito impõe. Vamos lá:

Elimine a retórica vazia. Ao implantar uma cultura meritocrática, seja coerente. Nada será mais importante do que o resultado e sua qualidade;

Tenha metas claras e exequíveis, para que possam ser distribuídas aos colaboradores. Sem isso, não haverá parâmetros confiáveis e respeitados de avaliação;

Crie uma política de premiação, que pode ser gradual e escalonada, envolvendo desde o incremento de remuneração até a participação na sociedade;

Premie com dinheiro (ou direitos sobre ativos, como a participação societária). As pessoas querem enriquecer e usufruir do ganho econômico que estão proporcionando ao negócio com seus esforços;

Cuide bem da comunicação. Ela deve refletir um programa claro e dotado de regras cristalinas. Isso vai garantir adesão e comprometimento;

Dedique especial atenção ao clima interno. Não permita que a competitividade saudável provocada pela meritocracia desague em agressividade gratuita e processos autofágicos desnecessários.

Tenha em mente que não se trata de um modelo perfeito e à prova de equívocos, e esteja preparado para perder alguns talentos que, independentemente de sua capacidade, não estão dispostos a conviver profissionalmente em um ambiente tão duro e difícil (mesmo com todos os “prêmios” disponíveis). Gustavo Chierighini

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