Os erros de Dilma que a colocaram à beira do impeachment
Sexta, 13 de Maio de 2016

A decisão do Senado sobre a admissibilidade do processo de impeachment contra a petista que transcorre atualmente vai além da exposição feita tela mídia.

Para especialistas consultados por Exame.com, Dilma é vítima de suas próprias decisões equivocadas na condução do país – que acabaram por minar sua base de apoio e aprovação popular.

A repercussão desastrosa do cancelamento da votação da Câmara dos Deputados que definiu a continuidade do processo contra a petista – revogado posteriormente pelo próprio autor - é o exemplo mais recente.

“Foi um erro de cálculo político na medida em que não foi combinado com o presidente do Senado”, afirma Thiago Vidal, coordenador de análise política da Prospectiva. “É essa falta de comunicação interna que marcou o governo desde 2011. É uma gestão que não consegue negociar sua sobrevivência nem nos últimos minutos”.

Em linhas gerais, a denúncia que pode abreviar o mandato da presidente Dilma Rousseff afirma que a petista cometeu crime de responsabilidade ao praticar as chamadas pedaladas fiscais e ao abrir créditos suplementares sem a aprovação do Congresso.

Mas, na prática, o que pode determinar o impeachment é a combinação entre sua inabilidade política e uma série de estratégias equivocadas para a economia.

A base esfacelada

Durante a votação do processo de impeachment na Câmara dos Deputados há menos de um mês, muitos parlamentares favoráveis ao fim do mandato da presidente aproveitaram o microfone do plenário para reclamar da falta de traquejo político que definiu os cinco anos e meio do governo Dilma. As queixas não poderiam ser mais pertinentes.

A economia no fundo do poço

Dilma tomou posse logo após 2010, quando o Brasil cresceu 7,5% - a maior taxa desde 1986, fruto das medidas anticíclicas de reação à crise internacional. Seu erro foi levá-las até o limite, sem recuar, mesmo quando já era clara a exaustão do modelo de crescimento pelo consumo. Produzindo um desemprego próximo a dois dígitos, uma inflação galopante que se arrefece pela queda do consumo, um PIB negativo que se eleva a cada novo relatório.

A única certeza, por ora, é que se, com a estrutura de governo a seu dispor durante cinco anos e meio, o PT não conseguiu salvar o mandato de Dilma, o quadro se complica sem a caneta que conferia uma certa vantagem na hora de negociar apoios.
Coluna adaptada de texto do site Época

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