Rating (risco) rebaixado, credibilidade em “xeque” – parte 1
Sexta, 28 de Março de 2014

Credibilidade brasileira novamente a teste, nesta semana a agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) rebaixou a nota até então classificada BBB para BBB-, sendo o último grau de investimento. As classificações abaixo tendem a ter uma possibilidade de calote. Dentre as razões seguem.

1. Política fiscal - "A deterioração fiscal brasileira nos últimos anos inclui déficits relativamente maiores com o resultado de um superávit primário menor (sem levar em conta os juros) e atividades extraorçamentárias recorrentes." O Brasil não cumpriu a meta em 3 dos últimos 7 anos.

2. Contabilidade criativa - "A credibilidade sobre a condução da política fiscal foi sistematicamente enfraquecida na medida em que o governo excluiu vários itens de receita e gasto da sua meta fiscal." O governo tem usado mecanismos. 

3. Crescimento baixo - "Esperamos que o crescimento baixo do Brasil persista nos próximos anos, com uma expansão do PIB real de 1,8% em 2014 e 2% em 2015."

4. Vulnerabilidade externa - "Antecipamos que a vulnerabilidade externa brasileira vai aumentar nos próximos anos. Em 2013, o investimento estrangeiro direto não cobriu plenamente o déficit em conta-corrente, esperamos que essa tendência continue”.

5. Abuso de bancos estatais - "O uso persistente dos bancos estatais, financiados por recursos do Tesouro não contabilizados, também minaram a credibilidade e transparência das políticas." Os bancos foram instrumentos de reação à crise de 2008 que perduram.

6. Baixo investimento - "O importante programa de concessões está avançando lentamente e deve fornecer algum apoio para o investimento. Dito isso, ainda esperamos que o investimento privado em geral continue sem brilho por causa do persistente sentimento negativo do empresariado e uma atitude de "esperar para ver" associada à eleição, o risco de racionamento de energia e os efeitos do aumento dos juros desde abril de 2013." O governo prometeu aumento de 19% para 24% do PIB em investimentos infraestruturais, está estacionado em 18%. 

Não esquecendo que temos uma inflação resiliente, um crescimento do PIB galgado pelo consumo, estagnado e com possíveis indícios de recessão econômica. 

Todo o processo é composto pelo “ônus e o bônus”. Próxima coluna conversaremos mais. 

Comentários