Crescimento pífio é “mau humor” dos mercados
Sexta, 06 de Junho de 2014

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“A presidente Dilma Rousseff disse nesta terça-feira que não pode explicar completamente por que o Brasil está crescendo tão lentamente, atribuindo em parte os problemas ao 'mau humor' dos mercados em lugar de qualquer necessidade urgente de reformas”. Segundo ela, não dá para explicar por que o Brasil não está crescendo mais rápido. E acrescentou que todas as condições para o Brasil não só crescer, mas crescer bem estão dadas.

A economia brasileira teve um crescimento médio de apenas 2 por cento desde que Dilma assumiu o governo em 2011, cerca de metade do ritmo que fez do país um queridinho de Wall Street na última década. Investidores e líderes empresariais dizem que são necessárias reformas tributária e trabalhista, entre outras, para destravar uma nova era de crescimento.

O problema central da economia brasileira, que impede de a mesma gerar um crescimento adequado, está na política fiscal. E esse é um problema estrutural, que leva alguns anos para ser resolvido. Entretanto, tais ajustes passam também pela redução dos gastos sociais. Uma questão difícil que vai de frente com o campo político. A cada ano o governo aumenta seus gastos, demonstrando que apenas a contenção de despesas públicas já não é mais a solução para o grave problema que temos. O mercado sabe disso há tempos e, preocupado com os rumos tomados pela condução da política fiscal nacional, já deu diversos recados, como rebaixamento da nota de crédito pela agência de risco Standard & Poor’s. A adoção de contabilidade criativa (maquiagem) sobre os dados econômicos, apenas gerou mais desconfiança junto ao mercado. O grande erro oficial foi diagnosticar que a desaceleração econômica era fruto basicamente da crise externa, quando fundamentalmente a mesma é de fundo estrutural da própria economia brasileira. A crise externa apenas potencializou o problema interno! 

Com isso, a renúncia fiscal, feita no atual governo, só piorou a situação do país, piorando a política fiscal, desorganizou a política macroeconômica, aumentou o risco-país, sem ter um impacto sobre o crescimento econômico. Assim, a renúncia fiscal deixa uma conta “salgada” para 2015, com poucos benefícios. O que é uma certeza se encontra no fato de que sem mudanças na base da política fiscal, o país não vai alcançar um crescimento sustentável. 

Uma correção que deverá durar anos até oferecer resultados palpáveis. Enfim, as desonerações tributárias dadas pelo governo, para aumentar o consumo, devem ser eliminadas, a começar pela conta da energia elétrica. Mesmo porque, foram mal feitas e pouco resultado trouxeram já que não foram acompanhadas pela redução dos gastos públicos. 

O correto muitas vezes não é doce e muito menos confortável, fato é que vamos ser todos nós convocados a pagar a conta. 

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