Novos Riscos no Mercado de Trabalho
Sexta, 20 de Junho de 2014

Acredito ser válida a socialização do texto da Zeina Latif.

Tem sido baixo o crescimento do emprego nos últimos anos. Ainda que parte disso se deva à falta de mão de obra qualificada e à saída de jovens do mercado de trabalho, há novos elementos em curso que podem fragilizar o mercado de trabalho. Não à toa as sondagens mostram indivíduos mais preocupados com seu emprego.

Desde o início da gestão Dilma, o emprego subiu algo como 3% no país como um todo (PNAD/PNAD contínua) entre 2010 e 2013. Já o emprego registrado em carteira aumentou bem mais, 10%, conforme a RAIS/Caged, como reflexo do aumento da formalização do mercado de trabalho desde 2005. Ajustando por esse efeito, a alta total de ocupação, com e sem carteira, teria sido em torno de 2%. Esse intervalo de 2%-3% não é muito. Está abaixo do crescimento da população em idade ativa, em torno de 3,7%. 

Nessa linha, estudo recente do Banco Central aponta que, nos últimos dez anos, as condições do mercado de trabalho melhoraram muito mais para ocupados, pela queda da probabilidade de perder o emprego, principalmente para aqueles com carteira assinada, do que para desocupados, para quem a probabilidade de se colocar não subiu tanto assim. 

Mas afinal, o que pesa mais para explicar o baixo crescimento do número de ocupados? Restrições de oferta de trabalho pelos indivíduos (menos pessoas dispostas a trabalhar ou procurando emprego) ou de demanda de trabalho pelo empregador (empresas abrindo menos vagas)? Em outras palavras, quão perto estamos do pleno emprego?

Certamente o primeiro fator tem peso significativo. Tem caído sensivelmente à procura por emprego, medida pelo número de desocupados (pessoas inativas que procuram emprego) em relação ao total de pessoas inativas. Estava em torno de 10,5% em 2010 e caiu para 8,2% em 2013. São principalmente os jovens entre 14 e 24 anos que estão saindo do mercado de trabalho. O resultado são taxas de desemprego baixas. O desemprego está em níveis mínimos históricos: 7,1% em 2013 ante em torno de 8,9% em 2010.

O segundo ponto é que os ajustes salariais, a “prova do pudim” do grau de aquecimento do mercado de trabalho, têm sido mais modestos, quando deveriam estar acelerando pelo efeito composição: o aumento da participação dos indivíduos com mais escolaridade no mercado de trabalho deveria inflar a medida de rendimento médio. 

Terceiro, a dinâmica do mercado de trabalho está mudando. A taxa de ocupação mostrou inflexão em meados do segundo semestre de 2013, apontando tendência de queda, enquanto ocorre um recuo mais acentuado da procura por emprego; num ritmo que não parece ser explicado apenas por movimentos estruturais, que tendem a ser mais lentos. Parece haver novos elementos no radar.

Assim, independentemente do fôlego do movimento de saída de jovens do mercado de trabalho, que pode atenuar, há agora um risco mais concreto de elevação da taxa de desemprego. Após tantos anos em queda, será algo novo e com impacto social imprevisível.

Comentários