Cidadãos de Papel
Sexta, 27 de Março de 2015

Bom dia mui amados leitores. Vamos entender o significado deste Título?!

Aprendiz: Mestre; somos todos cidadãos ou existem diferenças no sentido real da palavra cidadania? 

Mestre: A palavra aparenta um significado genérico, referente à qualidade de quem é cidadão, mas possui um histórico que traduz a verdadeira identidade de ser cidadão.

Aprendiz: Como assim? O que aconteceu na história para definir o conceito de cidadania?

Mestre: Essa é uma história muito antiga. Remonta os tempos da própria formação das sociedades. A princípio, vamos destacar a Grécia antiga, onde a ideia de cidadania era consensual entre os moradores das Pólis (cidades-Estado) que eram considerados livres e iguais a partir do nascimento. Contudo, a Grécia foi o laboratório para o surgimento da cidadania, pois o modelo grego não era comum na história dos países imperialistas que, devido às necessidades de crescimento e desenvolvimento dos Impérios, como: Macedônico, Romano, Otomano, precisavam conquistar novas terras para produzir mais alimentos, além de utilizar os derrotados como escravos (mão-de-obra). Assim, para a manutenção dessa estrutura imperial era essencial à formação e manutenção de castas sociais, como: governantes, militares, legisladores, clero, povo geral e os escravos, sendo que os direitos de cada pessoa era diferente conforme a casta que pertencia. Esse modelo de estratificação social serviu durante muito tempo (milênios) para manter o poder totalitário dos reinos, inclusive para manter a dominância de países e povos que foram conquistados pela força militar. 

Aprendiz: Então a Grécia foi o berço da cidadania que pregava a igualdade de direitos sociais, enquanto que a maioria dos países tinham governos totalitários que definiam os direitos do povo conforme os interesses dos seus governantes. E como isso mudou?

Mestre: Embora existissem algumas fagulhas ascendentes de ideias e ideais de direitos iguais para todos no passado, foi o movimento Iluminista que mais contribui na sedimentação dos direitos humanos pelo mundo. 

Assim, filósofos e pensadores do Século XVII e XVIII (principalmente), reuniram-se para criar um movimento intelectual contra as estruturas totalitárias reinantes em vários países (Inglaterra, Estados Unidos da América, França). Como exemplos: a) A Declaração dos Direitos do Estado de Virgínia (E.U.A, 1776): Art.1º- “ Todos os homens nascem igualmente livres e independentes, têm direitos certos, essenciais e naturais dos quais não podem privar nem despojar sua posteridade: tais são o direito de gozar a vida e a liberdade com os meios de adquirir e possuir propriedades, de procurar obter a felicidade e a segurança”; esse movimento antecedeu a Independência dos E.U.A. b) Revolução Francesa (1789) onde os Iluministas com base nos princípios de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” e com o apoio de políticos e da burguesia (poder econômico), lideraram o povo numa forte revolta social contra a monarquia governante que gastava demais para manter a nobreza e, assim, impunha novas tributações de impostos, leis fiscais, péssima condições de vida das pessoas que trabalhavam cada vez mais e recebiam salários insuficientes, etc. 

Portanto, embora a palavra cidadania confira, hoje, os direitos de cada um e seus deveres para com o Estado impressos num papel oficial, “ser cidadão” é um processo de conquista de cada ser humano, conforme demonstrado no passado de lutas, intelectualistas e glórias. Tenham uma ótima semana e que Deus Ilumine vossas mentes e corações!

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