Na marchinha de Carnaval
Sexta, 17 de Julho de 2015

Bom dia mui amados leitores. Diz o provérbio popular: quem canta seus males espanta.
Aprendiz: Caminhando no jardim da praça central, vi um bêbedo cantarolar uma canção do século passado. Era uma doce marchinha de carnaval de Emilinha Borba: “menina vai, com jeito vai, se não um dia a casa cai”. Rodando com a garrafa na mão, lá estava ele “cantando e dançando” no seu paraíso mental criado pela alucinação alcoólica do seu uísque 12 anos. Pensei: quantos sonhos terá sonhado, quantos sonhos realizados e quantos e de quantos desperdiçados? Será que a cada gole dado goela abaixo, subiria um prenúncio do passado, outrora liquefeito e tão bem escondido naquela garrafa doze anos? Num giro repentino do pé de valsa etílico, eis que a garrafa decola de sua mão, como um avião a jato, ganhando rapidamente altitude, rasgando horizontes para espatifar-se no chão, que fica manchado pelo líquido avermelhado contido naquela garrafa de vidro. O bêbedo, ao ver seus sonhos dilacerados em mil cacos e gotas espalhados por toda praça, grita desesperado e cai desfalecido no meio da multidão. Mestre, o que causou a queda daquele homem de aparência forte e que cantava alegre?
Mestre: O vício, que é um tipo de hábito considerado degradante à mente e ao corpo do ser humano, com consequências à sociedade. Neste caso, o vício pela bebida alcoólica.
Aprendiz: E o que contém a bebida alcoólica que o fez cantarolar alegre e depois o fez cair, como se estivesse morto?
Mestre: Toda bebida alcoólica contém a substância química de nome etanol (C2H5OH) que possui ação no metabolismo do corpo humano afetando vários órgãos e sistemas, como o fígado, o cérebro e o próprio Sistema Nervoso Central. O etanol afeta o sistema límbico, responsável pelas emoções e lembranças contidas na memória, o que o fez cantarolar alegre de maneira convincente, como se fosse o Deus, o dono da razão e das emoções que encantava multidões. Mas com o aumento da ingestão da bebida e, consequentemente, dos níveis de álcool (etanol) no sangue, faz alterar o potencial de membranas afetando o sistema gabaérgico - ácido aminobutírico dos neurotransmissores – alterando a regulação da passagem de íons entre os botões sinápticos dos neurônios, reduzindo os níveis de percepção sensória, motora e de consciência, assim como deprime o sistema respiratório e os batimentos cardíacos, o que poderá levar ao estado de coma alcoólico, à queda, o desmaio e à morte.
Aprendiz: O que leva um ser humano ao vício? E que produtos geram vícios?
Mestre: Organicamente, o vício ocorre pela ingestão de substâncias químicas que geram alterações metabólicas do organismo, causando a dependência química, sendo necessária a ingestão da substância novamente e sempre em dosagens maiores, aumentando os danos. Vários produtos podem gerar vícios, como os cigarros, as bebidas alcoólicas e as drogas. E muitos fatores podem desencadear os vícios, como problemas emocionais gerados nas fases de desenvolvimento humano, a desestruturação familiar, a perda de empregos, rompimento de relacionamentos amorosos, crise financeira e política. Contudo, o vício também está associado à fraqueza de espírito e à falta de políticas públicas que priorizem a cultura, as artes, a educação para o desenvolvimento de um povo forte, valoroso à nação soberana. Povo que se fixa no arquétipo do passado não consegue perceber, não vê o que está à sua frente: a esperança. Tenham uma ótima semana e que Deus ilumine vossas mentes e corações!

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