Produção Sustentável à Saúde de TODOS!
Sexta, 30 de Outubro de 2015

Bom dia mui amados leitores. No dia 23 de outubro ocorreu um ciclo de palestras da Universidade Federal de Santa Maria/Cesnors sobre a produção de alimentos de maneira sustentável, durante a 1ª Feira Regional da Agricultura Familiar, Artesanato e Biodiversidade (Emater) no parque de exposições de Frederico Westphalen.

Aprendiz: O que significa produção de alimento sustentável?

Mestre: É o modo de produção agrícola que não gera dano à saúde dos trabalhadores rurais, não gera dano ao meio ambiente e gera alimentos saudáveis que vão nutrir todas as pessoas. Os alimentos saudáveis geram um povo forte e inteligente.

Aprendiz: E como é possível gerar alimentos sem causar dano ao meio ambiente?

Mestre: É necessário obter conhecimento sobre as relações existentes entre o planeta, os ciclos biogeoquímicos, sistemas de produção agrícola e a saúde dos seres vivos.

Aprendiz: Mas com tanta complexidade, não seria mais fácil produzir alimentos do modo convencional que a grande maioria dos produtores já conhece e está acostumado?

Mestre: Acontece que esse modo convencional de produção agrícola, que existe a mais de meio século, já não satisfaz os novos conceitos de produção sustentável. Esse modo convencional tem gerado danos de elevado grau no equilíbrio do planeta, deixando o meio ambiente alterado, com as variações climáticas, por exemplo. Já não existe mais um inverno característico nos estados do Sul do país. Assim, as alterações no clima alterarão os ciclos das águas (das chuvas), das temperaturas, da vida das espécies vegetais que influenciam a vida dos demais organismos vivos, como os animais e os seres humanos. Ainda, no modo de produção convencional os trabalhadores rurais trocaram as práticas culturais tradicionais da agricultura, como a capina, por métodos químicos fazendo o uso de substâncias tóxicas que matam os seres vivos (bactérias, fungos, plantas, minhocas, insetos, aves, peixes, animais domésticos e até o próprio homem). Esses produtos químicos são capazes de gerar danos irreparáveis no meio ambiente, contaminando o solo, as águas e os alimentos que são ingeridos pelos seres vivos, como o homem. Eles gerarão doenças em curto, médio e longo prazo, conforme o nível, a concentração de princípios ativos (químicos) ingeridos, ou quando entra no organismo diretamente pela respiração, ou por contato (pela pele, olhos, boca, etc.).

Aprendiz: Nossa! Como que os trabalhadores rurais ainda fazem uso desses produtos químicos nas lavouras de alimentos, os quais vão à mesa de todos os consumidores? Alimentos que são produzidos na grande maioria pela agricultura familiar.

Mestre: Ao longo desse meio século que passou, muita propaganda (interesse comercial) foi gerada para informar o trabalhador rural que para produzir mais ele deveria fazer uso de produtos agrotóxicos, pois ele economizaria tempo nas atividades da lavoura, por exemplo, no controle de plantas invasoras que podem ser controladas pela capina e pela rotação de culturas. Por outro lado, o trabalhador teve que “pagar mais” em dinheiro para fazer uma lavoura e “pagar mais” com a saúde dele, de seus familiares (crianças, jovens, adultos e idosos), assim como todos que consomem esses alimentos. Na região de Frederico Westphalen quase todos os trabalhadores rurais fazem uso de agrotóxicos. Esta região (que compreende diversos municípios) possui grande percentual de suas águas e solos contaminados. Como consequência, é uma região que tem elevado número de casos de doenças graves, como o próprio câncer.

Aprendiz: Então, se isso atinge todos e pensando no bem de todos, por que não existem políticas públicas entre os poderes municipais, as instituições de Ensino, Pesquisa e Extensão, Emater, Sindicatos rurais, Igrejas, toda a sociedade para gerar alimentos saudáveis? Tenham uma ótima semana e que Deus ilumine vossas mentes e corações!

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