Conhecimento e arquétipos da aprendizagem
Sexta, 20 de Novembro de 2015

Bom dia mui amados leitores. Qual o modelo mais adequado para formar o ser humano?

 

Aprendiz: Mestre, desde que nos conhecemos eu tenho recebido muitos ensinamentos de modo demonstrativo, real e reflexivo. Por acaso eu ainda preciso aprender alguma coisa a mais? E qual o melhor modelo para aprender? Quando se atinge a maestria?

Mestre: Enquanto mantiveres viva a chama da dúvida e te movimentares na busca de respostas para as tuas indagações acerca de ti e do todo, é sinal de que vives na essência do conhecimento. A maestria não está demarcada em datas, formaturas, titulações e nem tem ela um fim em si mesma, mas no meio, no modo de viver e interagir harmoniosamente consigo, com todos e o tudo, desde o concreto, o relativo, o subjetivo e o abstrato; e a melhor maneira de ensinar a aprender é respeitando o outro integralmente e, para tanto, se faz necessário conhecer o outro.  

Aprendiz: Mas, como assim? Desde pequeno saímos de nosso lar, nossa proteção, e somos levados para um lugar diferente, com muitas pessoas diferentes para ficar de 4 a 5 horas por dia – por 9 anos - ouvindo uma pessoa diferente a falar de coisas, de regras, para fazer coisas que nem todos querem fazer e, ainda, sentados numa cadeirinha dura. Quando saem da cadeirinha desconfortável, são interrogados por alguém maior e mais forte e, algumas vezes, forçados (física ou psicologicamente) a sentar. Se ficarem sentados por longo tempo, o que pode até prejudicar a estrutura óssea, e ficarem quietinhos, recebem um agrado do mais forte e até recebem uma estrelinha pelo bom comportamento. 

Mestre: Veja aquele rapaz com seu cãozinho do outro lado da rua. Ele está ensinando o animal a sentar e quando o animalzinho senta o dono do cão lhe dá um osso. Veja a alegria do cão e a expressão na face do seu dono. Mas quando o cão não senta, recebe gritos e até tapas do seu dono. Olhe para eles? A quem serve esse modelo de ensino-aprendizado?

Aprendiz: Mestre, nós somos ou não diferentes? Não somos cães e não precisamos de um ser superior na escala evolutiva para moldar nosso comportamento, modificar a nossa essência para fazer o que os outros querem. Até quando o sistema de ensino, em alguns lugares, será para formatar as pessoas no mesmo molde? Por acaso o processo de aprendizagem do ser humano é igual para todos? Por acaso as pessoas, na sua essencialidade como indivíduos, não possuem percepções diferentes da realidade? Assim, por que utilizar os mesmos instrumentos formativos como se todos fossem partes da mesma massa de um pão? Até aparenta um processo industrializado da educação em que as crianças se assemelham a peças, como parafusos, em que todos devem ser iguais (formados a milhares) para servir a algum propósito. Contam que numa escola, a professora conversava com o pai de uma criança na entrega do boletim. A professora dizia: paizinho, o seu filho é muito inteligente, faz todas as tarefas primeiro que os demais e faz tudo certinho. Mas paizinho, como seu filho termina tudo primeiro, ele pega os lápis e começa a bater na classe, eu peço para ele parar, ele me olha e para. Mas logo em seguida, paizinho, ele levanta da classe e sai para caminhar ou para conversar com os outros alunos. Então paizinho, eu tive que dar o conceito B para ele. Esse é o arquétipo ideal para os seres humanos? Penaliza-se aquele que faz certo e com eficiência? Penaliza-se quem é diferente? O que esperar do futuro de uma sociedade em que os seus filhos são castrados, penalizados, até humilhados e forçados para entrar num mesmo molde desde pequeninos até a adultez? Por que a adolescência é considerada uma fase do desenvolvimento humano de tanta contradição e revoltosa? Por que a violência está massivamente presente na juventude de todas as classes sociais? Tenham uma ótima semana e que Deus ilumine vossas mentes e corações!

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