2016: o Caminho da Vida no Mimetismo da Sociedade Contemporânea
Sexta, 08 de Janeiro de 2016

Bom dia mui amados leitores. Convido-os a descobrirem um ponto-chave na constituição das sociedades e que se encontra nas raízes antropológicas da existência humana, o mimetismo.

Aprendiz: Mestre; durante as festividades do novo ano, ouvi as pessoas que estavam no meio das multidões. Naquele momento eufórico de mil foguetes que iluminavam os céus mais do que as estrelas, entre alegrias, beijos e abraços, ouvia-se o íntimo de cada um nas frases desejosas de felicidades: em 2016 quero comprar uma casa de artista, quero um carro importado, quero o salário dos deputados, quero entrar na política pra me dar bem, quero ganhar na mega sena, quero mil mulheres, quero ser presidente, quero ficar rico... Poucos desejavam saúde, paz, trabalho, honestidade e amor. Por quê?

Mestre: O caminho da vida plena e feliz é estreito e não é encontrado nas avenidas por onde circulam as multidões. Criou-se um sistema artificial de sociedade em que o ser humano não é visto como o ente social, mas como um objeto. Reforça-se esse significado no seio da sociedade através das imagens artificiais que adentram em nossos lares diariamente através das tecnologias que foram programadas, aparentemente, para nos divertir, informar e até para comunicar. Assim, o ser humano, ao se olhar no espelho da sua casa diariamente, não mais enxerga sua singularidade, sua unicidade - dádiva do Sereníssimo e Grande Criador do Universo – mas se vê diante do espelho como deseja ser “igual àquele outro”: rico, famoso, sorridente, sensual e feliz, aparentemente. Essa é a característica do mimetismo social da contemporaneidade, o ser humano não quer conhecer a si mesmo, não almeja descobrir suas fraquezas e potenciais que são exclusivos da autenticidade, a beleza de si mesmo. O ser humano não quer mais “perder” tempo estudando para ser alguém no futuro, não quer mais perder tempo trabalhando, não quer mais perder tempo conhecendo alguém para casar e ter filhos, não quer mais perder tempo com seus pais, nem consigo e nem com o próprio tempo. Não quer perder tempo nem com Deus, pois até Deus se tornou um empecilho à felicidade, pois se Deus não existir, Onipotente e Onipresente com o seu cajado de justiça para anunciar quem poderá entrar no Céu ou não, então: tudo poderá ser feito. Tudo isso não tem mais importância na vida do ser mimético, pois a sua vida está restrita às imitações dos símbolos de felicidade, como os das celebridades, dos políticos, dos famosos e de seus objetos independente de valores de juízo moral, religioso e até legal (leis). Nesse contexto, o homem tornou-se um camaleão de identidades sociais, tornou-se o centro de desejos de objetos, tornou-se objeto de desejos de outros e para os outros, similares aos objetos de vitrine que podem ser manipulados, ajustados, moldados e comprados. Portanto, os camaleões da contemporaneidade distanciam-se ainda mais da verdade de si mesmo, distanciam-se de seus pais - vistos como baús de valores ultrapassados, distanciam-se do discernimento do que é certo e errado, distanciam-se de Deus, que não está numa telinha e, consequentemente, distanciam-se da felicidade. Encontre o seu caminho, nesse tempo. Tenham uma ótima semana, um Feliz 2016 e que Deus ilumine vossas mentes e corações!

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