Arbeit macht frei
Sexta, 20 de Janeiro de 2017

Bom dia mui amados leitores. Nesta suposta crise financeira os representantes da nação traçam meios remediativos que aviltam o principal ator do sistema econômico: o trabalhador (provedor de recursos para a família/base da sociedade).

Aprendiz: Por que criam meios de aumentar a carga de trabalho diário, o tempo de serviço para se aposentar e aprovam projetos para reduzir, parcelar e congelar salários?

Mestre: Hipoteticamente, reduziria o discurso enfatizando algumas palavras: poder, domínio, perversão, vaidade, amoralidade, antiética, indignidade, ódio, antrofobia. Mas vamos por partes. Antigamente, o trabalho era sinônimo de dignidade, o ser humano sentia-se valorizado por fazer algo que beneficiava o outro e a si, por exemplo: produzir alimentos, curar doentes, construir casas, lidar com a madeira (carpintaria), consertar sapatos e ninguém necessitava de cursos superiores para obter o tal ofício, pois era intrínseco às famílias. O ofício era repassado de pai para filho e, nessa relação, o pai se sentia útil e valorizado na família e na sociedade; orgulhava-se por repassar o conhecimento de uma profissão ao seu filho que, reciprocamente, sentia-se feliz por ser aprendiz do próprio pai. Os tempos mudaram. Houve a revolução industrial e a explosão demográfica. Nos últimos 70 anos o crescimento da população mundial triplicou e os ofícios tiveram que ser concentrados em faculdades e universidades, propiciando a formação profissional de milhares de pessoas, abastecendo o mercado de trabalho com profissionais qualificados, gerando a reserva de mão-de-obra, aumentando o poder do empregador, a concentração de capitais, a facilidade para empregar e despedir e gerando o medo no trabalhador em receber a temível carta de remoção de setor, de exoneração, de demissão (+15milhões de desempregados). Como meio de domínio, subjugação o terrorismo se estabeleceu no ambiente de trabalho. Instalou-se a banalidade do mal legalizada nas relações e ambiente de trabalho, onde o dominador inventou estruturas burocráticas, tecnicistas na organização para imprimir, no trabalhador, o controle de suas faculdades psíquicas, morais, emocionais e físicas para atingir seus fins a qualquer preço (ex: a maior produtividade). Os fins justificam os meios, essa é a máxima da metodologia inumana. (Já existe Lei contra o assédio moral!). No contexto atual, analisando o tempo da aposentadoria, esta jamais poderia ser aumentada, pois devido ao crescimento da população e a grande disponibilidade de profissionais a lógica seria reduzir o tempo de aposentadoria (ex: para 50 anos), a fim de que os jovens formados, cheios de conhecimento, pudessem preencher essas vagas usufruindo o direito de trabalho, além de dignificar o aposentado que poderia aproveitar as delícias da vida ainda com saúde; ao contrário de 70-90 anos como propõe o projeto de lei PEC-287/2016 da reforma da previdência. O verdadeiro sentido da humanidade, os bons valores estão sendo encobertos e subvertidos. No dia 27 de janeiro é comemorado o dia da libertação de milhares de pessoas do campo de concentração de AUSCHWITZ pela ação do exército soviético em 1945. Por mais incrível que possa parecer, na entrada do campo de concentração existia uma placa que estava escrito: ARBEIT MACHT FREI, “O trabalho liberta”. Mais de um milhão de pessoas morreram nos campos de concentração por exaustão do trabalho, por fome, por fraqueza, por adoecimento e doenças e nos fornos e câmaras de gás. Qual tipo de trabalho realmente liberta?! Tenham uma ótima semana e que Deus ilumine vossas mentes e corações!

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