O despertar do Self na infância à adultez
Sexta, 29 de Novembro de 2013

Bom dia mui amados leitores. Vejam como as relações do ser humano são muito interessantes. 

Aprendiz: Mestre - em nossas conversas passadas, percebemos como é importante os pais estarem sempre atentos aos seus filhos. Vimos os diferentes vínculos de ligação existentes entre o bebê com os pais. Mas tanto a mãe como o pai deverão estar 24 horas protegendo e suprindo as necessidades e vontades do filho? 

Mestre: Os cuidados são essenciais ao bebê que através da relação simbiótica com a mãe terá suas necessidades satisfeitas, quer estas sejam de ordem fisiológica, emocional ou psicológica. Contudo, naturalmente a partir do 4º-5º mês de vida o bebê já começa a perceber as diferenças entre o seu corpo e o da mãe, que ela não é ele. Por exemplo, o bebê puxa o cabelo da mãe. (Quantas mães batem nas mãos dos bebês?). Esse processo é denominado de individuação do bebê. Nessa fase, o bebê (ser humano) dá os primeiros passos na longa jornada psíquica em direção à sua libertação. A cada ano de vida o processo de separação-individuação do bebê vai sendo aprimorado através das suas experienciações, tais como: engatinhar, tocar em novos objetos, caminhar, correr, desbravar o meio externo, afastar-se da mãe, brincar sozinho, sentir falta da mãe... Esse é um processo normal no desenvolvimento infantil para que a criança possa conhecer e ser ela mesma para desenvolver a sua própria identidade, autonomia, independência, despertar suas potencialidades, seus dons, sua essência, self.

Aprendiz: Se o processo é natural então sempre dará certo?

Mestre: Não é bem assim. Durante as fases de desenvolvimento da individuação muitos processos psíquicos estarão ocorrendo tanto na criança como na mãe e na relação; se não forem adequadamente tratados, poderão gerar danos na psique da criança que se estenderão à idade adulta.

Aprendiz: Como assim Mestre? Dê um exemplo para facilitar a compreensão!

Mestre: O processo de individuação é do bebê, mas existe um forte vínculo simbiótico entre a mãe e o “seu” filho (a). Se a mãe não for instruída ou assistida, ela não entenderá esse processo de separação e relutará contra o desenvolvimento da autonomia do bebê, ou seja, ela não permitirá a individuação do bebê. Essa luta da mãe (efeito psíquico/físico) contra a separação do filho é muito desproporcional e a favor da mãe; o bebê perde. O “abafamento/sufocamento” provocado pela mãe – impedindo que o bebê se liberte – geralmente causa a ansiedade no bebê que será mantida para a vida adulta. Existe uma segunda chance para a criança tentar se libertar da onipotência da mãe que será na adolescência, quando o jovem experienciará a segunda fase de individuação. Seguindo a lógica, na adolescência o jovem se apresentará revoltoso e se a mãe (com o apoio do pai) não entender o que se passa com o jovem e nem buscar auxílio psicológico profissional, ambos poderão reprimir totalmente a capacidade de individuação do filho. Se essa repressão for mantida pelos pais, o jovem não desenvolverá sua autonomia psíquica, não conseguirá viver afastado de sua mãe, viverá sentindo muita ansiedade, frustração, agonia, sofrimento, infelicidade e poderá se envolver facilmente com todos os tipos de drogas e vícios (para aliviar o estresse mental), até mesmo se envolver com sistemas ilegais, corrupção. 

Aprendiz: Quer dizer que o problema começa lá na primeira infância! E pode chegar a níveis muito danosos. Conheço adultos extremamente ansiosos e sem causa aparente, até então. 

Mestre: Sim, a ansiedade é um dos casos clínicos típicos na psicologia. Os psicólogos(as) podem ajudar essas pessoas, melhorando a qualidade de suas vidas. Lembre que a ansiedade pode desencadear outras doenças psíquicas e físicas no organismo humano - como um efeito dominó - exemplos: gastrite, colite, impotência, pressão alta, obesidade, aterosclerose, doenças cardiovasculares. Tenham uma ótima semana e que Deus ilumine vossas mentes e corações!

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