Perigos dos alimentos de origem animal não inspecionados
Sexta, 17 de Outubro de 2014

Grande parte dos alimentos da nossa dieta alimentar é de origem animal. São responsáveis por conferir renda para inúmeros agricultores e movimentam uma grande cadeia produtiva até chegar à mesa do consumidor, isto quando percorre um caminho de legalidade. Contudo há aqueles produtos que chegam ao consumidor sem inspeção e, por isso são ilegais, porque percorrem atalhos podendo oferecer grande perigo aos consumidores. 

Ao adquirir produtos como carnes cruas e seus derivados, leite e seus derivados (queijo, iogurte, nata, manteiga), ovos, banha, peixe entre outros alimentos de origem animal, sem inspeção, podemos nos contaminar pelas zoonoses. Essas doenças são transmitidas dos animais aos humanos e dos humanos aos animais e podem causar grande sofrimento para quem for contaminado. 

De acordo com os médicos veterinários, as zoonoses mais disseminadas são a tuberculose, a brucelose, a leptospirose, a toxoplasmose e a teníase - cisticercose. E a forma de transmissão depende da zoonose. Por outro lado existem quase 200 zoonoses diferentes e o número de enfermidades que podem ficar sendo transmitidas é muito grande.

Como evitar as zoonoses? Através da prevenção e através da aquisição de produtos inspecionados e disponibilizados adequadamente. Se produzido e consumido na propriedade, como as carnes, deve ser bem cozida, se for leite, deve ser fervido. Os produtos devem ser oriundos de animais sadios e preparados higienicamente e acondicionados adequadamente. 

A prevenção das zoonoses é um grande desafio que envolve os profissionais da área da saúde quanto aos profissionais que trabalham diretamente com os produtores. 

Há alguns meses conversei com o Ricardo Matias, médico veterinário renomado que disse. “O número de casos é alarmante. Atualmente está se perdendo o controle destas zoonoses porque elas dependem muito de decisões individuais. Por exemplo: quem decide o que comprar é o consumidor. Posso comprar um salame fiscalizado ou não. Se opto pelo fiscalizado, tenho a certeza de um produto de qualidade, sem risco. Caso contrário, o risco se torna maior”. Ele dizia ainda, que em todos os encontros nas comunidades sempre tem alguém no grupo que teve ou está com alguma destas zoonoses, alertando que essas doenças ocorrem tanto na zona rural como urbana. “Tanto faz, os riscos são os mesmos. A vaca está no meio rural, mas o leite vem para a cidade. O gato, o cachorro está nos dois ambientes. O rato também. Não dá para dizer onde o risco é maior”.

Considero importante avançar neste assunto nas próximas edições pela importância do tema. Gostaria que este assunto não ficasse apenas na leitura silenciosa do leitor. Provoco aqui as lideranças para que debatam o assunto junto á comunidade, pois a forma mais barata e menos dolorosa de evitar essas doenças é pela prevenção. 

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