As comemorações e reflexões do ano da agricultura familiar
Sexta, 21 de Novembro de 2014

Estamos chegando ao final de mais um ano e este foi dedicado a comemorar e a refletir sobre a agricultura familiar. A ONU, através da FAO, afirma pelo Oficial Carlos Biasi que “é uma oportunidade para aumentar a visibilidade, fortalecer a Agricultura Familiar e ampliar a relação entre consumidor – produtor familiar”. De fato! Os relatórios indicam que este jeito de conduzir as atividades agrícolas é responsável pela maior parte dos alimentos que vão à mesa no mundo inteiro.

No mundo, 87% das explorações são familiares onde envolvem 1,5 bilhões de pessoas em 56% das terras que respondem por mais de 50% da produção agrícola. No Brasil mais de 84% das propriedades são familiares abrigando ao redor de 14 milhões de pessoas em 24% das terras que produzem 70% da produção agrícola.

 Os dados mostram que a agricultura familiar é predominante no mundo e tem um papel fundamental na eficácia da redução da fome e da pobreza. O Banco Mundial estima que o PIB agrícola é 2,7 vezes mais eficiente em reduzir a fome e a pobreza do que outros setores. Sem sombra de dúvidas o grande mérito da eficácia é da agricultura familiar pelo jeito de ser próprio deste setor agrícola.

A redução da fome e da pobreza e a eficácia da agricultura familiar se devem à diversidade de cultivos, de criações e de pessoas que se envolvem para conduzir as atividades. Lógico que as tecnologias têm papel importante para aumentar a produtividade e evitar as perdas por pragas, doenças e intempéries. Mas a diversidade traz sustentabilidade nutricional e alimentar contrastando com as monoculturas da agricultura empresarial que tem papel importante em outros campos econômicos.

A agricultura familiar também é responsável pelo dinamismo das pequenas cidades e comunidades rurais, pois o tamanho diminuto das propriedades e a dificuldade de obtenção de escalas conduzem para o associativismo, o cooperativismo e a luta pelos seus direitos através dos sindicatos. Assim, são constituídas entidades e agremiações que aproximam as pessoas e lhes dão voz e visibilidade que os tornam fortes nos valores culturais, morais, éticos e de cidadania. 

Com todas as características de valorização humana que a agricultura familiar propicia, não está sendo suficiente para a sua perpetuação a ponto de inúmeras famílias não fazerem os sucessores lá no interior. A dinâmica da sociedade está facilitando para que as pessoas, especialmente os jovens, que não se sentem motivados para desenvolverem suas habilidades no meio rural migrem para a cidade em busca de algo que lhes satisfaça. O esvaziamento rural é uma realidade que acomete especialmente a agricultura familiar. Nestas regiões tem-se o risco de perdas que vai desde a identidade cultural até os valores da diversidade e da criatividade, própria de quem dribla as adversidades da natureza para sobreviver. Portanto, este foi um ano com comemorações e com reflexões sobre este importante jeito de ser que é a Agricultura Familiar.

Comentários