A extensão rural ameaçada
Sexta, 06 de Dezembro de 2013

 

O conhecimento é a mola propulsora do desenvolvimento das pessoas. Disso, muito se tem falado. Basta olhar os países e as regiões prósperas. O acesso à educação começa em casa, na família. O conhecimento se busca na escola e na universidade. Porém, o conhecimento se espalha, sobretudo no meio rural, pela extensão rural. E, quando se fala em extensão rural, logo vem à mente a Emater. Não tenho autorização para falar da Emater, mas vou usar este espaço para relembrar a comunidade regional da importância desta entidade.

No interior dos municípios é muito difícil que uma pessoa ou família não tenha recebido uma visita ou não tenha precisado de algum serviço da Emater. Lembro quando eu era criança, morava no interior de Pinhal Grande, meu pai recebia a visita dos extensionistas que, num fusca amarelinho, vinham ensinar a colocar adubo e calcário nas lavouras. Era o início da década de 1970. Lembro que eram quase sempre dois que vinham: um homem e uma mulher. O homem falava com meu pai e caminhavam pelas lavouras. Gesticulavam bastante, arrancavam algumas plantas, mostravam as raízes, apontavam com balizas onde haviam de ser construídos terraços e assim por diante. A mulher ficava com minha mãe. Falavam da horta, da casa, do jardim, da água, de nós, que éramos crianças, e outras coisas mais que eu nem entendia na época.

Aliás, eu entendia pouco do que o homem e mulher falavam, mas o pai dizia que nós iríamos melhorar de vida porque iríamos produzir mais pelo calcário e pelo adubo que iriam colocar na lavoura. O calcário! Que era o calcário? Criança que nunca tinha ouvido esta palavra. Meu pai já tinha ouvido falar no Correspondente Renner da Rádio Guaíba. Mas não conhecia pessoalmente. Pois bem! Cheguei da escola e lá estavam descarregando um caminhão de calcário. Eram cargas de onze mil quilos. Três cargas de caminhão que eram suficientes para serem aplicados nos quatro ou cinco hectares que meu pai cultivava com milho, fumo, feijão, trigo e outras miudezas. E aí estava aquele homem ensinando meu pai a espalhar aquela espécie de mistura de areia branca com farinha. Um “pó pesado”. Era assim que nas rodas de conversa, após a missa nos domingos, se referiam do calcário.

Eu não ajudava meu pai porque era criança, mas brincava na pilha de sacaria. Eis que daí um tempo um povaréu se juntou lá em casa para ver o efeito do calcário. Era um Dia de Campo sobre a técnica da correção do pH e da adubação. Onde o milho não crescia direito, agora estava vigoroso e com espigas nunca vistas. Até os inços, como a milhã e o caruru eram muito maiores do que antes. Disso meu pai falava muito também. E, as pessoas ali se admiravam do que era capaz aqueles produtos aplicados: o calcário e o adubo.

Pois bem! Fiz esse relato para dizer o quanto ficou marcado na minha mente aquela imagem dos extensionistas. Extensionistas da Emater. Emater que tanto vem contribuindo para a promoção humana e econômica das famílias gaúchas. Entidade que está em todos os municípios do Estado, levando conhecimento e tecnologia para as regiões mais remotas dos municípios. Emater que agora está ameaçada de fechar pela perda da filantropia. O que seria para inúmeras famílias rurais que ainda precisam conhecer os benefícios do adubo e do calcário? Que precisam das extensionistas para orientarem as mães sobre a alimentação da família, sobre o ajardinamento da propriedade, sobre o cuidado com a água?

Querem fechar a Emater. Não vamos deixar isso acontecer, porque os prejudicados serão os mais necessitados. Vamos nos manifestar para uma saída.

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