Chuvas em abundância geram expectativas ao agricultor
Sexta, 23 de Janeiro de 2015

Em 2012, o Rio Grande do Sul amargou uma seca de sete meses. Segundo o Centro Estadual de Meteorologia (Cemet-RS) foi a maior seca dos últimos 60 anos. Para quem lembra, a partir do mês de janeiro daquele ano, as prefeituras concentravam esforços para abastecer de água muitas propriedades do meio rural, e em muitos municípios também na cidade. Fazia muito calor e o vento leste soprava indicando que a seca duraria muito. De fato, só iniciou a chover forte no início de junho. Foram mais de 140 municípios que decretaram estado de emergência por causa da estiagem. A paisagem rural era de desolação, porém o agricultor cultivava a esperança de dias melhores e, a partir daí não faltaram mais chuvas.
Chuvas que foram abundantes em 2013 e continuam em excesso no início deste ano de 2014. Quanta chuva estamos experimentando neste verão! Que maravilha andar pelo interior! Tudo verdinho! Água correndo por todo lado! Os registros apontam que no Noroeste e Norte do Rio Grande do Sul no mês de janeiro já choveu cerca de 300mm representando mais do que três vezes a média histórica. Água em abundância, que trouxe preocupações às administrações municipais para a recuperação das estradas do interior. Está preocupando também os agricultores porque não conseguem realizar as lidas da lavoura. Portanto, de um lado comemoramos a chuva em abundância e de outro nos preocupamos com as consequências do excesso.
O excesso de chuva vem prejudicando a confecção de silagem, o término da semeadura da soja, o início da semeadura do feijão e do milho safrinha, além das pastagens anuais da época. Prejudicou também a qualidade da uva, sobretudo daquelas mais tardias para a nossa região, estragando e diluindo a doçura. Para a cultura da soja parece não ter afetado, no entanto também prejudicou pela impossibilidade da aplicação dos produtos fitossanitários preventivos. Tudo indica que haverá ataque severo de doenças se os agricultores não conseguirão efetuar as aplicações preventivas a tempo. As chuvas contínuas também estão prejudicando a colheita do milho principalmente nas lavouras de baixada e sujeitas a encharcamento provocando o acamamento.
 Prejuízo também se faz notar pela erosão do solo que vem ocorrendo nas lavouras descobertas ou com movimento de solo neste período chuvoso. Em certas lavouras a erosão foi tão grande comparando-se as da década de 1970 quando o revolvimento do solo era a prática recomendada para o preparo das lavouras. A erosão carrega o que tem de melhor no solo, as partículas de argila, os nutrientes, a matéria orgânica e consigo leva também os pesticidas, as sementes enfim, o lucro do agricultor.
A expectativa é que os agricultores consigam efetuar as práticas necessárias às culturas e, estas, tirando proveito das chuvas e do sol, que deverá compensar os dias nublados rendam o máximo. Produtividade alta é o que indica que haverá. Porém, resta a expectativa se haverá lucratividade.



Lauro Luiz Somavilla
Eng. Agr. M.Sc. Agronomia
Secretário Municipal da Agricultura
Tel. (55) 8404-5662
Email.: lalusoma@hotmail.com

Comentários