A rentabilidade agrícola ameaçada
Sexta, 30 de Janeiro de 2015

O Sul do Brasil vem apresentando condições climáticas favoráveis e tudo indica que, se continuar assim, haverá produção agrícola recorde. A cultura da soja vem se desenvolvendo satisfatoriamente, embora em algumas microrregiões os agricultores têm passado apuros para realizar os tratamentos fitossanitários. A safra do milho que acaba de ser colhida, de um modo geral, concluiu o ciclo a contento, porém a produtividade vem oscilando em áreas com menos de 100 sacas/ha, até áreas chegando aos 180 sacas/hectare.
As menores produtividades são atribuídas a fatores como a sensibilidade de alguns híbridos ao período de altas temperaturas e ao déficit hídrico na fase reprodutiva e, até mesmo ao excesso de chuvas no período de crescimento vegetativo (período apto para a cobertura nitrogenada) que dificultou o agricultor a entrar na lavoura para realizar esta operação. Perdas pontuais ainda podem ser registradas em lavouras de baixada onde a colheita não foi possível no tempo adequado pelo excesso de chuvas.
A chuva em abundância e, o verde exuberante da paisagem traz uma sensação de euforia para a região porque indica que teremos safra cheia. Safra cheia é perspectiva de comércio aquecido. Este é o desejo que paira nos municípios com economia baseada na agricultura. Já está cunhada na memória do povo que quando a agricultura vai bem, a cidade também vai bem. Porém, como diz o ditado: “nem tudo o que brilha é ouro”, há armadilhas no setor agrícola que se camuflam com o verde e com a exuberância das culturas que reduzem a rentabilidade a ponto, de alguns casos, inviabilizar as atividades empreendidas.
Vejamos alguns exemplos: a Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (Fecoagro) divulgou, ainda em setembro/2014, a perspectiva de custos de produção da soja e do milho. Naquela época, a entidade estimou um custo de 39 sacos/hectare para produzir 50 sacos de soja. A rentabilidade cairia para R$ 602 (ao redor de 30%) em relação a safra passada que foi de R$ 984 e, alertava que a média da produtividade de soja no Estado era de 44 sacos/ha. A perspectiva do milho foi mais dramática estimando um custo de produção ao redor de 104 sacos/ha. Salienta-se que a produtividade média do Estado em 2013/14 foi de 85,5 sc/ha. O elevado custo de produção do milho indicava uma redução ao redor de 6% na área de plantio. De fato! Plantar soja era mais barato do que plantar milho. De setembro/14 para cá tivemos vários eventos que oneraram ainda mais o custo de produção.
Portanto, a rentabilidade agrícola pode estar ameaçada pelos altos custos de produção e pelos preços de mercado que se mantém abaixo dos últimos anos. A saída é buscar altas produtividades pela tecnologia disponível aos produtores e caprichar na gestão da propriedade.



Lauro Luiz Somavilla
Eng. Agr. M.Sc. Agronomia
Secretário Municipal da Agricultura
Tel. (55) 8404-5662
Email.: lalusoma@hotmail.com

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