A conta está chegando para ser paga
Sexta, 06 de Março de 2015

Nas últimas semanas experimentamos a força que os agricultores e os caminhoneiros têm. Força maior foi sentida quando a estes se juntaram também os trabalhadores, as lideranças e os empresários para externar a insatisfação dos rumos que o país toma. Uma parte expressiva da população se manifestou porque não aguenta mais a corrupção, a falta de seriedade na política, a manipulação dos dados econômicos, a falta de planejamento e estratégia nos investimentos estruturantes que poderiam alavancar a economia, os investimentos precários na saúde, a política educacional que pouco prepara as crianças e jovens para assumir responsabilidades. Poderia enumerar tantos outros motivos de indignação que se acumulam sobre as pessoas de bem, mas prefiro parar por aí.

A indignação aumenta e aflora quando se analisam as condições naturais favoráveis que o país tem para gerar qualidade de vida ao povo. Enumero algumas: terras férteis, sol abundante, água farta na maior parte da superfície e no subsolo, chuvas regulares em quase todo o território, ausência de furacões de grande magnitude e terremotos, não temos inverno rigoroso, não temos grupos extremistas, temos um povo alegre e hospitaleiro, um povo que tem no sangue a diversidade étnica, religiosa, cultural e cheia de esperança e paz. 

Estas qualidades nos dão potencial para sermos referência em qualidade de vida se não fosse o “jeitinho” e os desmandos que se acumulam ano após ano. Vou transcrever aqui o que foi postado nas redes sociais e que reflete bem o que estamos passando: "Quando uma pessoa ou uma empresa gasta mais do que ganha, elas vão à falência. Quando um governo gasta mais do que ganha ele te manda a conta". (Ronald Reagan).  

Para os agricultores não está vindo só a conta, mas também a penalização da falta de opção de mercado para alguns de seus produtos, a responsabilização excessiva para a preservação dos recursos naturais de sua propriedade, o desestímulo para empreender agroindústrias de pequeno porte pelos imbróglios legais e, outras exigências que muitos produtores de tanto que “apanharam” desestimularam seus filhos a permanecer na roça. 

Temo que as mudanças ainda custem muito, pois há políticos, embora em minoria, que possuem tão pouco conteúdo e profundidade e, por isso fazem tanto barulho que mais parecem “carroças vazias” servindo, apenas, para confundir os agricultores de boa fé, ao invés de colaborarem para que se esclareçam e prosperem nas atividades que escolheram.

Esperança continua acesa a partir das mulheres, que por sentirem as necessidades diárias da família, encorajam o marido e os filhos a gritarem por seus direitos desejando que, de uma vez por todas desapareça o que o então senador Rui Barbosa falou há 100 anos: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto". 

Parabéns ás mulheres que no dia 8 são lembradas pela bravura e coragem de provocar mudanças. Se for por elas, a conta voltará para quem as emitiu.

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