A inquietação toma conta dos agricultores
Sexta, 20 de Março de 2015

A situação dos agricultores da região não é de calma, mas de inquietação. Os cenários dos mercados e dos preços desfavoráveis para a maioria dos produtos agrícolas estão na contramão das necessidades dos agricultores. Grandes foram os investimentos que os produtores realizaram nas propriedades e, basicamente com financiamentos bancários que vinham sendo honrados religiosamente. Com os percalços dos mercados e dos preços agrícolas o temor é de que muitos tenham enormes dificuldades para honrar os compromissos.

Primeiro foi o milho cujo custo se elevou a patamares nada convidativos, pois a preços de setembro/2014 o custo de implantação seria de 104 sc/ha. Daquela data para cá a situação se agravou ainda mais, pois tivemos aumento dos insumos, da energia elétrica, dos combustíveis e, o preço de venda do produto baixou ainda mais.

A salvação para renda satisfatória nas propriedades pequenas e médias nos últimos anos foi o leite. Esta atividade foi fomentada pelos governos e empresas e grandes investimentos foram feitos pelos agricultores. Aí foram descobertos os esquemas de fraudes cujo mercado suportou os preços elevados até setembro/2014 e, a partir daí, tanto mercados como preços tiveram grande revés.

Para os suinocultores, o limite suportável dos custos e da baixa remuneração perdurou durante o ano de 2014 vindo a tona no início de 2015. A remuneração do suíno para o agricultor mal dava para honrar os compromissos dos empréstimos bancários que viabilizaram os investimentos na propriedade. Suinocultores e indústrias iniciaram tratativas com o objetivo de adequar as necessidades do setor cujos resultados se escalonam em curto, médio e longo prazo.

O setor fumageiro, expressivo na região, que viabilizava muitas propriedades, também vem passando por dificuldades nesta safra. Parece que há um descompasso entre a necessidade da indústria com a qualidade da produção. O resultado é o retardamento da comercialização, produto estocado na propriedade perdendo qualidade e, preço muito aquém dos custos de produção.

A cultura da soja que hora inicia a colheita está satisfatória tanto no preço como na produtividade. Para aquelas lavouras implantadas até dezembro se confirma excepcionalidade no padrão da cultura. No entanto, as lavouras de resteva implantadas tardiamente começam a sofrer perdas pela falta de chuvas que começaram a escassear nas últimas semanas.

O momento da agricultura, sobretudo dos pequenos agricultores é de se fortalecer através dos seus órgãos de classe, associações e cooperativas, pois assim conseguirão melhores resultados. A conjuntura econômica brasileira e internacional está “nebulosa” e com isso, dificulta o planejamento das atividades e dos investimentos para os agricultores a médio e longo prazo, logo na coletividade e unidade da classe haverá melhores acertos para a tomada de decisões.

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