Dificuldades ou oportunidades agrícolas
Sexta, 27 de Março de 2015

A agricultura praticada hoje é muito diferente da praticada há 20 anos. As terras são as mesmas, a geografia é a mesma, mas as práticas e a visão de negócios são diferentes. Para aqueles que perceberam que o mundo mudou abrem-se oportunidades. Para os que permanecem com a cabeça no passado há um “mundo” de dificuldades.

A maioria da juventude não tem noção de como eram as práticas agrícolas na década de 1980. Nem concebem como os agricultores criavam os suínos, trabalhavam as terras, colhiam os produtos. Nem imaginam como eram as roçadas para ampliação das áreas de cultivo, o uso do fogo para limpeza das roças, a desnecessária autorização ambiental para a prática de várias atividades agrícolas como a suinocultura, a avicultura, a atividade leiteira confinada, a abertura de açudes em certos locais e assim por diante. 

Realmente o mundo mudou. Mudou no rural e no urbano. As relações econômicas são diferentes e altamente impactantes para o rural. A economia de escala, a exigência de produtos de qualidade, a intensificação do cuidado com o meio ambiente são algumas das características atuais que devem ser observadas. Essas exigências (enumerei apenas três) refletem na rentabilidade ou na viabilidade dos negócios. Quem teve ou tem dificuldade para observância, infelizmente ficou para traz ou teve que abandonar o campo. Quem teve condições de adaptação está prosperando apesar do contínuo aumento das exigências legais, tributárias e flutuação dos preços dos insumos e dos produtos agrícolas.

A mecanização facilitou muito as operações agrícolas. Na paisagem rural hoje há mais áreas destinadas a preservação do que há 20 anos. Hoje, onde é possível a mecanização foi ou está sendo sistematizado para ocupação agrícola e, onde é “ladeira” foi destinada a regeneração florestal. Grandes áreas de cultivo de soja, de milho, de cereais de inverno, de pastagens são observadas no interior. Estão sendo produzidos muito mais grãos do que antigamente. Detalhe! Com menos mão de obra. A criação de suínos aumentou muito com menos criadores, porém não mais com “chiqueiros”, mas sim com “pocilgas”.

Aliás! Não é mais porco, mas é suíno. Surgem criatórios com grandes capacidades de alojamento indo de 500 até milhares de cabeças. Na avicultura é da mesma forma. Aviários de 12 mil aves indo a mais de 20 mil. Vários criatórios na mesma propriedade. Na atividade leiteira é a mesma coisa. Há criadores com uma dúzia de vacas até aqueles que passam de uma centena. 

Falo tudo isso, especialmente das pequenas propriedades. Antigamente havia diversificação de atividades para renda e era pregado que deveria ser assim. Hoje mudou: nas pequenas propriedades deve continuar a diversificação de produtos para a subsistência, mas para a comercialização deve-se olhar para a especialização e, para grande escala de produção.

Para aqueles que resistem as mudanças, realmente as dificuldades de conduzir as atividades ou de sobrevivência são grandiosas. Para aqueles que acompanham a evolução dos mercados, das tecnologias e das exigências legais descortinam-se grandes oportunidades.

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