Mudanças nas regiões de pequenas propriedades
Sexta, 10 de Abril de 2015

Estamos em plena colheita da safra de soja cuja cultura domina a paisagem rural da região. O rendimento das lavouras é satisfatório e o clima está colaborando para que o grão seja colhido com qualidade. O preço não é aquele que compensa o esforço da atividade, mas há um contentamento porque poderia ser inferior como previam os economistas na época da implantação das lavouras. O produto está valorizado porque o dólar está elevado e, como é um produto que basicamente vai para a exportação, este acompanha a moeda de referência. Realmente, se não fosse a desvalorização do real a saca de soja estaria ao redor de R$50.

O milho permanece ao redor dos R$ 23/saco. Para nós aqui do Sul a safra é significante e a safrinha praticamente é inexpressiva. Dependemos da safrinha do Centro Oeste para balizar os preços do produto que ainda não está comercializado. A tendência é a elevação do preço em vista da demanda crescente para a produção de suínos e de aves.

A situação da atividade leiteira é complexa embora dê sinais de elevação sutil do preço pelo aumento do consumo na volta as aulas e pela chegada do outono que baixa a temperatura o que estimula o acesso a bebidas quentes. Os analistas de mercado preveem que no segundo semestre poderá haver uma recuperação mais acentuada do preço em função da baixa dos estoques pela falta de estímulo a produção mundial. Contudo os agricultores estão apreensivos com a situação porque foram efetuados investimentos com recursos de financiamentos bancários que deverão ser honrados no decorrer do ano.

Verifica-se que a situação das pequenas e médias propriedades rurais passam por apuros em relação a lucratividade dos seus empreendimentos. Os custos de produção são cada vez maiores e, os preços dos produtos cada vez mais apertados, o que força a permanecerem na atividade aqueles mais eficientes e com maior escala de produção. Isso força a aceleração do esvaziamento rural provocando a falta de mão de obra para as atividades que podem agregar maior valor como é o caso da avicultura, da suinocultura, do leite entre outros.

Diante de um cenário de esvaziamento rural surge o fenômeno do aumento do tamanho das propriedades e a diminuição do número de proprietários. Significa que os que estão mais bem capitalizados estão incorporando no patrimônio mais propriedades. Com isso, surgem áreas mecanizadas de maior porte fortalecendo ainda mais os que estão capitalizados.

Outro fenômeno é o aumento de investidores urbanos que buscam atividades empresariais no meio rural, especialmente no setor de suínos e do gado leiteiro. Esta característica pode ser uma saída de ocupação e renda para os agricultores, que já não conseguem por si só conduzirem as atividades em suas propriedades, pela falta de estrutura de suporte exigida, mas podem se viabilizar disponibilizando os seus serviços para estes empreendimentos, pois acumulam experiência e conhecimento necessários a condução destas atividades. São novos tempos e novos cenários que naturalmente se estabelecem na região.

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