A agricultura em transformação
Sexta, 22 de Maio de 2015

Impressionante como a agricultura vem se transformando nos últimos anos. Parece que até uma década atrás, embora significativas, as mudanças não foram tão impactantes como as que vêm ocorrendo nos últimos tempos. A revolução verde, nas décadas de 1960 e 1970, oportunizou aos países menos desenvolvidos o acesso a tecnologias que os projetaram para o mundo na produção agrícola. Na época, o calcário, as sementes e as mudas selecionadas, os fertilizantes solúveis, os pesticidas para controle de pragas, a mecanização e a adoção das técnicas de gestão quebraram um paradigma de uma agricultura estagnada, quase extrativista e de subsistência, para uma agricultura empresarial. A partir daí, paulatinamente foram incorporadas na agricultura, tecnologias que favoreceram tanto o aumento das produções como também o conforto do trabalhador.
Nas décadas de 1980 e 1990, os avanços foram mais sutis, embora significativos. Foi um período de expansão das áreas de cultivo em novas fronteiras. Também foi um período de construção das bases científicas que alargaram o conhecimento possibilitando para que hoje tivéssemos tecnologias apropriadas para cada situação e atividade.
O grande impulso veio no final dos anos 90 quando a engenharia genética foi descortinada. A manipulação de genes em laboratório abreviou o tempo de testes a campo e criou variedades mais adequadas aos ambientes de cultivo, mais produtivas e com melhor qualidade. No ramo animal possibilitou a seleção de raças mais produtivas e com melhor qualidade, especialmente da carne (caso dos suínos).
A grande questão é que as tecnologias favorecem o “descanso do braço”, mas exigem esforço mental. A força física do homem do campo já não é tão exigência, pois a máquina e os equipamentos cumprem esta função.
Não é só no âmbito nacional que a tecnologia mudou, mas vem mudando em todo o mundo. Vem mudando também as relações comerciais possibilitadas pelos acordos entre países que facilitam o intercâmbio de tecnologias, a importação e exportação de produtos, de insumos, de máquinas e de equipamentos. Todas essas mudanças carregam a necessidade do conhecimento. Conhecimento que para assimilá-lo exige bases escolares e acadêmicas que poucos dos agricultores mais antigos têm. As atividades agrícolas que era de domínio comum (soja, milho, feijão, suinocultura, avicultura, fruticultura, leite), hoje carregam tecnologias embutidas que exigem conhecimento dominado. Além disso, a observância dos preceitos legais inerentes a cada atividade é cobrado de forma mais incisiva. O equacionamento das questões ambientais também deve estar conforme. Os acordos comerciais entre países permite a livre concorrência o que possibilita a abertura de novos mercados ou o acesso a produtos mais em conta do que os nossos. Os que conseguem acompanhar estas mudanças permanecerão na agricultura e os demais deixarão o campo para outras ocupações.

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