O balanço de um ano agrícola
Sexta, 13 de Dezembro de 2013

 

Estamos chegando ao final de um ano no calendário oficial, porém, ainda não no calendário agrícola, que se encerra lá por abril ou maio. Contudo, já é possível fazermos um balanço do que foi o ano agrícola e de como serão os próximos meses. Do ponto de vista climático foi um ano excelente. Porém, em alguns pontos da região, houve temporais que causaram danos às culturas e as construções. Assim também em pontos isolados, a geada imprimiu danos em culturas diversas, como a videira, o milho, o feijão, o trigo entre outros. As chuvas foram acima da média favorecendo a recuperação dos mananciais hídricos. Também em pontos isolados, o excesso de chuvas prejudicou a germinação e o desenvolvimento inicial do milho, do feijão e da soja.

Mesmo assim, tivemos produções recordes nas culturas dos cereais de inverno e com perspectivas ótimas também para a produção do milho. O trigo apresentou produtividade acima da média histórica havendo relatos de algumas lavouras com média ao redor de 80 sacos/ha. A qualidade do trigo também foi satisfatória, pois o peso hectolítrico (ph) na maioria foi acima de 78. Aliás, o anúncio dos órgãos de governo é de que a safra de grãos será recorde, se estabelecendo ao redor de 195 milhões de toneladas.

Em relação aos preços agrícolas, os grãos apresentaram valores expressivos, sobretudo para a soja e para o milho e, no início da safra, para o trigo. No entanto, para o trigo e para o milho, os preços no momento já se apresentam baixos, não havendo perspectivas de mudanças em curto prazo, conforme afirmam os analistas econômicos.

No ramo da produção animal, a situação se apresentou diversa. Para o preço dos suínos, o ano entrou com preços muito defasados sendo que no momento já se recuperaram. O frango também iniciou o ano com alto custo de produção, angustiando os produtores pela falta de rentabilidade, havendo recuperação atualmente. Na atividade leiteira, o preço se manteve em alta, porém com declínio nos últimos meses pelo excesso de oferta no mercado. A atividade sofreu um forte revez por sucessivos escândalos pela adulteração do produto cujas empresas, além de denegrirem a imagem da atividade, causaram prejuízos aos produtores e consumidores. Contudo, o trabalho eficaz dos órgãos encarregados da qualidade do produto vem recuperando a imagem do setor.

Salienta-se que de um modo geral, o setor agrícola passa por uma fase boa. Há recursos disponíveis e há condições satisfatórias para custeio e investimentos, bons preços dos produtos e mercado disponível para acolher a produção. Desafios ainda preocupam os envolvidos com a produção vegetal em relação às pragas: resistência de invasoras às herbicidas e o alastramento da lagarta Helicoverpa armigera. A resistência da buva Conysa sp. a herbicidas tem preocupado os agricultores que veem suas lavouras tomadas por esta invasora em culturas diversas. Não há perspectiva de controle facilitado a esta invasora com as herbicidas disponíveis e em condições plausíveis. Da mesma forma, a lagarta H. armigera, que assusta pela voracidade e capacidade de multiplicação, tem apresentado dificuldade de controle aos agricultores do Centro-Oeste e parte do Sul e vem angustiando aos agricultores do Rio Grande do Sul onde pode se alastrar e aqui também causar prejuízos.

São os desafios que precisam ser superados para termos um balanço positivo e continuarmos com o entusiasmo na atividade rural.

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