O momento agrícola exige do produtor mais planejamento
Sexta, 12 de Junho de 2015

O planejamento é uma premissa para o êxito de todos os empreendimentos. Nas atividades agropecuárias, mais do que nunca, o momento exige análise e cruzamento de informações para conduzir os negócios. Primeiro porque os fatores de produção (terra, capital e trabalho) estão mais escassos e caros. Segundo porque a competitividade é um dos fatores que mais pesam para o sucesso dos empreendimentos do setor.

Os agricultores se veem no dia a dia envolvidos com inúmeras atividades inerentes a propriedade rural que pouco tempo possuem para planejar as atividades de forma estruturada. A maioria herdou hábitos e foi estimulada para o trabalho a campo aberto, ora enfrentando os rigores das atividades, ora as benécias da natureza. Então, para parar um tempo para planejar, nem todos tem esta habilidade.

Acontece que o custo de produção das atividades agrícolas aumentou muito e os preços dos produtos acompanham critérios de mercado e de qualidade. Exemplo tem na atividade leiteira que no ano passado nesta época estava numa condição satisfatória e neste ano sofreu revezes desestimulando muitos produtores, sobretudo os menos estruturados. No entanto, para aqueles que acompanham as exigências de mercado e se esforçam para implantar práticas de gestão e de técnicas de produção e qualidade tem melhor preço do leite e, com isso tem melhor rentabilidade.

Para os produtores de soja a angústia continua, pois segundo dados da Farsul, os custos totais da lavoura de soja, que no último ano foram de 49 sc/ha,  podem chegar a 54 sc/ha na próxima safra. Isto se deve a elevação dos insumos que é regulado pelo dólar e o preço do produto que no momento é valorizado no Brasil pelo câmbio, mas no estrangeiro o soja está abaixo do valor histórico. Contribui também para o aumento dos custos, a elevação da taxa dos juros do crédito do custeio agrícola divulgado pelo Plano Safra na semana passada. O governo disponibilizou R$ 187,7 bilhões, num aumento 20% do volume de crédito, mas o juro também aumentou em média 2%. A Farsul através do economista Antonio da Luz diz que “teremos uma nova temporada de rentabilidade baixa, por isso é preciso que o produtor busque alternativas para minimizar riscos e reduzir custos na produção”.

A formação da lavoura de milho também deixa o agricultor angustiado, pois o preço de mercado reage pouco (R$ 21/sc) e os insumos dispararam a começar pela semente que está em média R$ 400/bolsa de 70 mil sementes. 

O momento agrícola, portanto, exige muito planejamento porque a política econômica brasileira está conturbada, não havendo perspectivas de melhora a curto e médio prazo. Vamos torcer também, para que o clima continue colaborando com os agricultores, sobretudo na safra de verão que ora se planeja. Assim, pelo menos haverá alento diante do esforço destes abnegados que carregam a responsabilidade de colocar à mesa o alimento e também manter a balança comercial positiva.

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