Comparando atividades agrícolas
Sexta, 19 de Junho de 2015

Não é de hoje que os agricultores procuram por atividades que melhor rentabilidade traz a sua propriedade. Não é tarefa fácil escolher uma ou outra atividade, visto a diversidade de condições que as propriedades oferecem. Os técnicos e estudiosos apontam caminhos e procuram disponibilizar informações para balizar os agricultores na tomada de decisões. O conhecimento acadêmico de áreas diversas que versam diretamente sobre o setor rural é reunido numa grande área chamada de Ciências Agrárias. Contudo, nem sempre é suficiente ter domínio das Ciências Agrárias para ter sucesso nos empreendimentos rurais, pois somos cheios de subjetividades que muitas vezes sobrepõem-se aos preceitos técnicos e científicos. Por mais que uma situação seja evidente para o técnico nem sempre é para o produtor. O contrário também é verdadeiro. 

Considerando este aspecto quero comparar atividades, sobretudo para as pequenas propriedades, que é onde mais se faz sentir a necessidade de renda. Como não tenho espaço para aprofundamentos, faço uma abordagem genérica considerando um indicador de necessidade de 2,5 salários mínimos mensais por cada Unidade de Trabalho Humano. Este indicador conduz a satisfação de nove itens de necessidade: habitação, vestuário, alimentação, saúde, lazer, comunicação, segurança, transporte, educação. Considera-se aqui que a família produza os gêneros da sua subsistência e a renda necessária possibilita o acesso àquilo que não é possível gerar na propriedade. Para efeitos comparativos aborda-se a renda advinda somente de uma atividade. 

Vejamos então quanto é preciso cultivar ou criar para sobrar o equivalente a 2,5 salários mínimos mensais para uma família de 4 pessoas (dois adultos e duas crianças): soja: 78,5 hectares (50 sc/ha); milho: 77 hectares (150 sc/ha); gado de corte: 42 hectares (83 cabeças de 470 kg); feijão: 18,4 hectares (40 sc/ha); fumo: 9,8 hectares (197.000 pés) = 1.576 arrobas; leite: 15.924 litros/mês; uva comum (bordô, isabel, concord): 9,5 hectares (15 ton./ha); laranja: 7,8 hectares (40.000 kg/ha); melancia: 6,7 hectares (25.000 kg/ha); figo: 5,4 hectares (12.000 kg/ha); uva mesa (niágara): 5,1 hectares (15 ton/ha); pêssego: 4,6 hectares (20.000 kg/ha); mandioca:  4,2 ha (16 ton/ha = 0,5 kg/planta); limão tahiti: 3,5 hectares (15.000 kg/ha); goiaba: 3,5 hectares (35.000 kg/ha); uva – vinho colonial: 2,3 hectares (15 ton/ha); noz pecan: 3,5 hectares (5.000 kg/ha); bergamota  montenegrina: 2,25 ha (25 ton/ha); melão: 1,5 ha; hortaliças em geral: 1 ha.; melão cultivo protegido: 0,45 ha.; tomate em cultivo protegido: 0,3 ha; moranguinho túnel baixo: 0,6 ha; morango semi-hidroponico: 1.000 m²; mel: 5.516 kg (275 colmeias); peixe (tilápia): 39.400 kg (2 ha de lâmina de água).

O que indica o comparativo? Que as atividades que agregam menos valor exigem maior área e, as que mais agregam exigem pouca área, mas requerem conhecimento técnico.

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