A agricultura profissionalizando-se
Sexta, 17 de Julho de 2015

O tempo em que a imagem do agricultor era caracterizada por um personagem de vestes simples, por vezes fora da moda, de chapéu de palha na cabeça, de jeito um tanto atrapalhado quando andava pela cidade, como o Teixeirinha o descreveu na música “O Colono”, foi se embora. Tampouco perdura aquele conceito de que o agricultor produzia a subsistência e vendia os excedentes, que é culpado pela degradação ambiental, que é usuário desmedido de agrotóxicos e, sobretudo, que é um atrasado no uso de tecnologias modernas. Pois bem! O salto tecnológico que há no campo é digno dos recordes de safras que os agricultores estão conquistando. E, se continuarem os apoios, a âncora da balança comercial continuará nas mãos do agronegócio.
O agricultor de hoje é aquele que fala em genética, fala em nutrição mineral, fala em manejo fitossanitário, domina a tecnologia da informação sobre a máquina que realiza as operações agrícolas. O agricultor entende de conversão alimentar, pois produz quilogramas de carne, seja ela de boi, de frango ou de suíno. Não fala mais em sacos de sementes plantadas por hectare, mas sim em número de sementes por hectare, em litros de leite produzido por área de pastagens. Entende de custo de produção porque antes de entrar na atividade faz as contas e sabe se vale a pena investir ou deve mudar de rumo. O agricultor de hoje anda de carro novo, se veste conforme a ocasião, a passeio ou a negócios, faz suas viagens e fala com o “doutor” de igual para igual.
Mais interessantes são os filhos dos agricultores! Estes dominam o computador, o celular com seus aplicativos, buscam informações em tempo real sobre as previsões do tempo, sobre os preços agrícolas, sobre os preços dos insumos, os preços de máquinas, de equipamentos e até fazem compras pelas lojas virtuais. Quem diria tanta evolução! No que perdem pelo pessoal da cidade? Em nada! A qualidade de vida do homem do campo, nas devidas proporções e salvo algumas exceções, é melhor do que o povo urbano.
A evolução tecnológica e as conquistas do homem do campo estão mudando a paisagem rural e o comportamento desta importante classe trabalhadora. O homem do campo mora em habitações melhores, tem transportes melhores, trabalha com máquinas e equipamentos mais confortáveis, mais seguros e com melhor rendimento do que antigamente. No ramo da produção, adota cultivares e raças de animais mais adaptados e com melhor rendimento econômico. Faz frente às pragas e doenças com a resistência genética, sementes e mudas sadias, nutrição mais equilibrada e, quando tem necessidade do uso de produtos fitossanitários o faz com propriedade porque tem melhor orientação técnica, melhores equipamentos de aplicação e, os produtos são mais seletivos e menos perigosos do que aqueles usados há anos atrás. Podemos dizer com segurança que a agricultura está evoluindo e os agricultores alcançando a dignidade que merecem. Que no próximo dia 25 de julho possamos comemorar estas conquistas e enaltecer aqueles que alicerçam a economia brasileira há décadas.

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