A Casa Familiar Rural vem cumprindo seus objetivos
Sexta, 07 de Agosto de 2015

O tão sonhado espaço para a formação de agricultores já tem 14 anos. Em prédio construído no ano de 2000, no Polo Tecnológico na Linha Faguense, em Frederico Westphalen, com parceria entre a Secretaria da Ciência e Tecnologia do Estado do Rio Grande do Sul, a URI – Campus de Frederico Westphalen e o Codemau, iniciou as atividades no ano de 2001. Iniciou com ensino informal para jovens que concluíram o 1º grau e, manifestadamente, pretendiam continuar com atividades na propriedade rural. Após vários anos de articulação dos monitores, Associação de pais e lideranças, no ano de 2009 o CEED/RS autorizou o funcionamento como Escola de Ensino Médio Casa Familiar Rural.
A Casa Familiar Rural adota a Pedagogia da Alternância onde os jovens alternam períodos de aulas em internato (uma semana) e períodos de vivência profissional nas propriedades (duas semanas). O ensino é voltado para a formação integral dos jovens (meninos e meninas) com foco para o rural. Este espaço não é uma escola e sim uma casa e não tem professores e sim monitores. Os filhos dos agricultores não são chamados de alunos e sim de jovens. A metodologia trabalha eixos de formação profissional e humana e usa a transversalidade dos temas para a formação integral, vivenciando a teoria e a prática. Os jovens são estimulados a descobrir-se e descobrir o mundo. Um modelo de formação organizado na França pelos agricultores e para os agricultores.
A implantação deste modelo de ensino foi árdua e sofreu muitas críticas, pois como tudo o que é novo e diferente impacta e desacomoda e poucos vislumbram os benefícios a médio e longo prazo. Mas, os resultados começam a ser revelados. A certeza de poucos abnegados na época da implantação e daqueles que perseveraram na proposta vem produzindo frutos que se multiplicam a cada ano que passa.
Em recente pesquisa acadêmica realizada pelos monitores e divulgada no final de julho mostrou-se que já foram 170 jovens formados na CFR. Impressionante é que 73% deles continuam com atividades no meio rural e 78% deles moram lá no interior. Outro dado interessante é que as famílias declararam que 62% dos jovens estão mais críticos e participativos. Ainda foi revelado que 20% deles mudaram tudo na propriedade. Salienta-se que nos últimos anos a evasão dos jovens das propriedades foi enorme e que, embora eu não tenha acessado estudos sobre a permanência no meio rural de egressos de outras modalidades de ensino, a CFR vem cumprindo com os objetivos de contribuir com a decisão dos jovens de continuarem com atividades no interior. Sou testemunha de que o jovem egresso, mesmo que exerça atividades urbanas, ele tem comportamento diferenciado graças a formação humana que recebe. Parabéns a todos os que contribuem para levar avante esta proposta. Vale a pena conhecer a Casa Familiar Rural.

Comentários