A dependência da chuva
Sexta, 14 de Agosto de 2015

A água é um bem fundamental para a vida. Sem ela a vida não seria possível. Assim aprendemos na escola. Os cientistas ao descobrirem algum planeta buscam sinais de água para traçar linhas de pesquisas sobre a possibilidade da existência de vida. A água é o tema que continua atual nas discussões em todos os cantos da terra desde os tempos bíblicos até hoje e, assim se perpetuará para sempre, tal é a dependência que temos dela.
Não faz três semanas que a região assistiu um “dilúvio” de mais de 350 milímetros num só mês. Houve locais que passou dos 400 milímetros e os estragos foram grandes. Muita gente ribeirinha precisou abandonar a casa e seus pertences, porque os rios transbordaram. Muitos agricultores tiveram prejuízos em suas lavouras ou com os animais de campo em consequência da chuvarada. É a sina da região que possui um histórico de chuvas entre 1.800 a 2.200 milímetros anuais. Nem sempre é bem distribuída, embora chova bastante.
Tanto o excesso como a falta de chuva prejudica o ser humano. Quem sente mais com a irregularidade é o agricultor, porque suas atividades dependem da água da chuva. Se há poucas semanas atrás o excesso de chuvas prejudicava, agora é a falta que angustia os agricultores. Aqueles que implantaram cereais de inverno, como o trigo, aguardam a chuva para a aplicação dos fertilizantes nitrogenados em cobertura. Alguns aplicaram uma dose, mas há aqueles que ainda aguardam umidade para fazer a primeira aplicação. Contudo, o tempo seco auxilia na diminuição das doenças o que também traz economia para o agricultor, pois reduz as aplicações de produtos fitossanitários.
A angústia se abate sobre os agricultores, porque agora é um período de plantio de fumo, cuja muda está pronta e começa a passar do ponto de transplante. A semeadura do milho feita até a primeira quinzena de setembro garante safra boa, porque o ciclo se completa antes do período histórico de escassez de chuva que é novembro/dezembro. O solo seco impede as operações de semeadura, tanto pela falta de umidade para a germinação da semente, como para as operações mecânicas do preparo das lavouras. As pastagens para gado de leite têm dificuldade de rebrote porque começa a faltar umidade. A semeadura do feijão também aguarda umidade, embora a área de cultivo é cada vez menos expressiva na região.
Aí estão alguns argumentos de dependência da chuva para a nossa agricultura. Muitos produtores já possuem seu sistema de irrigação nas áreas de pastagens. Há também agricultores que possuem áreas irrigadas no sistema de pivô central. Mas ainda dependemos da chuva para a condução das lavouras. Por isso precisamos adotar sistemas de manejo do solo para que a água da chuva permaneça em níveis adequados pelo máximo de tempo. Também precisamos aumentar as áreas irrigadas e adotar culturas e atividades que dependam menos da água da chuva. Assim poderemos produzir com menor angústia.

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