Aumenta o custo de produção da próxima safra
Sexta, 28 de Agosto de 2015

No último mês intensificaram-se as compras de insumos para a próxima safra de grãos. Os agricultores não anteciparam as compras porque o mercado dos produtos agrícolas e dos insumos vinha oscilando muito em função do preço do dólar, da política econômica brasileira e dos mercados mundiais. Chegada a hora de formar as lavouras, o agricultor se viu obrigado a ir para o mercado e comprar o necessário para o início da safra. Grande surpresa está tendo o produtor com o custo dos insumos, que está em média 10% maior do que na última safra. Com isso, os analistas afirmam que será usado por volta de 11% menos fertilizantes e anteveem que teremos uma safra menor do que a última. Para termos ideia, precisamos de quatro sacos de milho para adquirir um saco de adubo. A lavoura de milho continua cara e deverá ceder espaço para a produção de soja.
Embora a lavoura de soja seja mais barata que a de milho, neste ano a rentabilidade também estará apertada se depender do câmbio e do preço dos insumos. Segundo a Farsul, o custo da lavoura de soja subiu de 49 sacas/ha para 54 sacas/ha, e o câmbio continua incerto uma vez que elevará ainda mais o preço dos insumos. Não está aqui quantificado o risco climático que sempre angustia os agricultores. Logo, se a produtividade for de 60 sacas/ha, o lucro será de apenas seis sacas/ha. Claramente, a cultura indica que terá viabilidade se houver produção em grandes áreas e se a gestão for eficiente durante todo o processo produtivo.
A cultura do trigo, que em algumas áreas já oferece colheita dentro de algumas semanas, terá sua produtividade reduzida em função das condições climáticas desfavoráveis para a produção. Além disso, o preço de mercado continua a não ser atrativo para os agricultores, sendo que muitos implantaram as lavouras mais para a cobertura de solo do que para a produção de grãos.
O leite, que é uma atividade que viabiliza inúmeros agricultores na região, também terá o preço com leve redução nos próximos meses, vindo a recuperar-se, segundo o Rabobank, somente na metade do ano de 2016. O mercado dos lácteos também para a indústria estará apertado, por isso a tendência é que estas passem a selecionar os agricultores ao valorizar melhor aqueles que apresentarem um produto de qualidade.
Diante de um cenário de preços de insumos em alta, ao elevar os custos de produção das lavouras a ordem é planejar melhor as atividades e os investimentos. A assistência técnica nessas horas deve ser valorizada para que se erre menos e com isso se tenha melhor rentabilidade.
Não esqueçamos que a agricultura depende das condições climáticas e, embora as previsões indiquem chuvas acima da média até outubro, é a partir de novembro que as culturas mais precisam de umidade. Logo, é interessante adotar a semeadura em épocas diferenciadas, além de adotar práticas de manejo de solo e, também, adotar cultivares melhores adaptadas a condições restritas de umidade. Não economizemos em planejamento.

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