Agricultura: coragem para investir
Sexta, 11 de Setembro de 2015

Pelo cenário da política econômica nacional tudo indica que, mais uma vez, a agricultura é chamada a dar a sua contribuição. A agricultura é um setor que depende dos ciclos biológicos e do clima para existir e da política econômica para dar rentabilidade. Claro que da porteira para dentro também depende da gestão do agricultor, mas além dos aspectos econômicos do mercado depende-se também da natureza, pois se trabalha com organismos vivos.
A nossa agricultura comercial se torna mais vulnerável porque historicamente se serviu dos financiamentos oficiais para os investimentos e para o custeio. Por isso, se tornou dependente dos planos agrícolas para se estabelecer e conta com as garantias do governo para produzir. Com a crise política e econômica aflorando, a alta do dólar e a elevação do preço dos insumos e dos combustíveis, é exigido mais coragem do agricultor para investir. Logo, diante das incertezas os investimentos são retraídos. Um termômetro foi a Expointer que apresentou uma queda nas vendas de máquinas e implementos agrícolas da ordem de 37% em relação ao ano passado. Outros segmentos agrícolas, como o dos defensivos, já havia anunciado uma retração de 8,4 % ainda no final de junho e de 12% no setor de fertilizantes até o final de maio, o que indica que poderá haver uma produção agrícola menor na próxima safra.
A produção de carnes parece que continuará em alta, pois a agroindústria tanto de suínos como a de aves tem demanda crescente em função dos altos preços da carne de boi no mercado nacional. Contudo, não significa que o agricultor terá igual rentabilidade, pois sobre a produção recaem os custos da elevação dos insumos, da energia elétrica, da mão de obra, entre outros encargos que implicam na criação. A grande questão são os investimentos de implantação ou de ampliação dos criatórios, cujos investimentos continuam altíssimos, além dos juros do dinheiro emprestado que se elevaram. A criação de suínos e de aves, que era típica da agricultura familiar e de pequenos criadores, passa a ser mais seletiva, viabilizando-se através de investimentos empresariais de maior porte.
A produção leiteira a nível mundial também sofre revés porque os estoques continuam altos assim como a produção. Não é por nada que na última semana agricultores europeus protestaram contra a retirada das cotas de produção de leite, entre outras queixas de mercado. Produzir leite com rentabilidade exige mais profissionalismo para todos.
O mercado em ascensão se apresenta para as agroindústrias familiares que oferecem produtos com identidade familiar, em pequena escala e artesanais, como destacado na Expointer. O crescimento nas vendas foi de 12,67% superior a 2014, quase se igualando à comercialização de bois que historicamente fazia sucesso e, agora, perde o charme para o Salão da Agricultura Familiar. Produzir nesse setor exige coragem, além de profissionalismo.
O certo é que, apesar da crise política e econômica nacional, a agricultura continuará sendo o sustentáculo deste país, graças à coragem dos agricultores que investem sem medo dos riscos, tendo a esperança de resultados satisfatórios.

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