A agricultura e o desenvolvimento regional
Sexta, 20 de Dezembro de 2013

Ao fazer uma retrospectiva para a década de 1990, podemos ver que a região teve muitos avanços, especialmente no setor agrícola. Começando pelos serviços de apoio, que antes tínhamos que buscar outras regiões como, por exemplo, o Laboratório de Análises de Solo, que o mais próximo era o de Passo Fundo. Uma análise de solo, que é uma ferramenta básica para implantar qualquer cultura, demorava cerca de 30 dias. Hoje temos aqui e em poucas semanas temos o resultado na mão.

Hoje, temos várias universidades aqui e com cursos ligados diretamente ao setor rural e os filhos dos agricultores podem se especializar e voltar para trabalhar na propriedade ou buscar outras ocupações de apoio a ela. Só este fato já é um avanço extraordinário, pois os cursos na área rural remetem a pesquisa, ao ensino e a extensão. Com isso, a universidade vai para dentro das propriedades aumentando ou estendendo o conhecimento para além do universitário para aquelas pessoas que estão no setor produtivo. Com as universidades presentes, os professores qualificados passam a residir aqui. Passam a se inserir na comunidade e nas conversas informais já repassam conhecimento e dicas muito antes das pesquisas serem publicadas nos periódicos indexados que custam a chegar ou não chegam até quem precisa. Com universidades aqui há mais laboratórios e, com isso, mais serviços para a comunidade. Conhecimento e serviços ligados ao conhecimento são ferramentas fundamentais para o desenvolvimento regional.

Outra conquista enorme e muito debatida nas últimas décadas e que agora há disponível crédito facilitado e em abundância para os agricultores. Basta se habilitar e tendo lastro de suporte, o crédito estará disponível. Com isso, está sendo possível a modernização da frota de máquinas e equipamentos agrícolas, a ampliação das áreas de cultivo, a melhoria da infraestrutura da propriedade e a melhora do setor produtivo. Está muito mais fácil produzir hoje do que nas décadas passadas. Há mais conforto e se pode produzir mais e melhor. Também temos hoje uma oferta maior de sementes melhoradas que produzem mais, são mais resistentes às pragas e doenças e têm ciclos menores e, com isso, favorecem outros cultivos na mesma área.

Na área animal, da mesma forma, os avanços são consideráveis: novos cruzamentos, novas linhagens, novos métodos de produção e, com isso, há um maior conforto para o trabalho e maiores são as produções.

A energia elétrica é outro apoio que está disponível nas propriedades. Com isso, os agricultores estão podendo acessar novos equipamentos, máquinas e utensílios que em muitas propriedades há a necessidade de aumento de carga, pois o que está disponível não suporta a demanda.

Podemos continuar enumerando os avanços que houve nas últimas décadas, mas não há espaço aqui. É claro que ainda falta muito para sermos uma região rica economicamente. Mas onde se anda no interior há a ideia coletiva do desenvolvimento regional. A região parece que está vacinada e direcionada para isso. As novas gerações que são egressas das universidades se juntam às lideranças e mantém viva esta ideia de conquista, de luta para melhorar ainda mais a região. A região será ainda melhor.

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